São Paulo – A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) avalia que a economia mundial vai crescer menos este ano do que em 2015 e que uma aceleração apenas modesta é esperada para 2017. Segundo a entidade multilateral com sede em Paris, a previsão de avanço para 2016 é de 2,9%, contra 3,1% no ano passado, e de 3,2% em 2017. Os dados constam de relatório Interim Economic Outlook divulgado nesta quarta-feira (21) pela instituição.
As projeções para este ano e para o próximo foram ambas reduzidas em 0,1 ponto percentual em relação a um levantamento semelhante feito em junho. Segundo o estudo mais recente, está instalada uma “armadilha de baixo crescimento” na economia global, na medida em que as perspectivas pouco animadoras inibem ainda mais o comércio, os investimentos, a produtividade e os salários.
A OCDE informa que nos últimos anos a média de crescimento do comércio global caiu pela metade em comparação com o período anterior à crise financeira, que estourou em 2008, com uma redução ainda maior nos últimos trimestres em função da desaceleração de economias asiáticas. Este é um dos principais fatores do fraco avanço do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
De acordo com a entidade, houve um recuo no desenvolvimento das cadeias globais de valor e nenhum progresso na abertura de mercados internacionais para o comércio, o que influenciou a desaceleração dos negócios.
Outros fatores, segundo a instituição, são distorções nos mercados financeiros com taxas de juros muito baixas – e até negativas -, o que eleva os riscos no sistema como um todo. Este não é, porém, o caso do Brasil, onde a taxa básica de juros segue alta.
A OCDE diz que há uma distorção entre crescimento dos preços de títulos e participações e a queda dos lucros e das perspectivas de crescimento de forma geral, além do aquecimento excessivo do mercado imobiliário em diversos países, o que aumenta a vulnerabilidade dos investidores em caso de uma “correção” repentina nos valores destes ativos.
“A baixa demanda (global) certamente tem seu papel na desaceleração do comércio, mas é profundamente preocupante a falta de apoio político para políticas comercias cujos benefícios poderiam ser amplamente sentidos”, disse a economista chefe da OCDE, Catherine Mann, segundo comunicado da organização. “A política monetária está ficando sobrecarregada. Os países precisam implementar políticas fiscais e estruturais para reduzir a dependência nos bancos centrais e garantir oportunidades e prosperidade para futuras gerações”, acrescentou.
A redução das projeções em relação aos números de junho reflete a piora das estimativas sobre grandes economias desenvolvidas, em especial o Reino Unido por causa do Brexit, o que foi em parte compensado por uma melhora gradual em alguns países emergentes produtores de commodities.
Nesse sentido, a OCDE melhorou as projeções sobre a economia do Brasil. É esperada uma contração de 3,3% este ano, com variação positiva de 1 ponto percentual em relação ao relatório de junho, e um recuo de 0,3% em 2017, com melhora de 1,4 ponto percentual em comparação com a estimativa anterior.
A OCDE defende uma resposta coletiva ao baixo crescimento com adoção de políticas fiscais, estruturais e comerciais, como a remoção de barreiras protecionistas e outros obstáculos ao comércio e aos investimentos.


