Agência Brasil
Ciudad Guayana (Venezuela) – Deve ser finalizada até o fim deste ano a principal obra atualmente construída por uma empresa brasileira em solo venezuelano, a segunda ponte sobre o rio Orinoco, a 20 km de Ciudad Guayana, onde acontece nesta terça-feira o encontro dos presidentes do Brasil, Venezuela, Colômbia e do governo espanhol. "A conclusão dessa passagem rodoferroviária também pode impulsionar ainda mais a integração entre Venezuela e Brasil", afirma o engenheiro brasileiro Estevão Timponi França, que dirige o projeto, a cargo da Construtora Norberto Odebrecht.
França explica que, da finalização da ponte, depende a construção de um projeto já em discussão pelo governo venezuelano, denominado "Conexão Mercosul", uma ferrovia unindo Manaus e novos portos nas penínsulas no Mar do Caribe, próximas a Trinidad Tobago. Além disso, a ponte é importante para o escoamento dos produtos siderúrgicos de Ciudad Guayana, pólo produtor de aço e alumínio, entre outros.
"Se essa ligação com Manaus se consolidar, em alguns anos teremos um grande mercado para os eletroeletrônicos e eletrodomésticos da Zona Franca. Hoje, apesar da proximidade, é mais fácil encontrar produtos chineses e americanos por aqui", conta França, que reside na Venezuela desde 2001, quando se iniciaram as obras da ponte.
Segundo o engenheiro, apesar do "estado embrionário" desse projeto, o grau de vontade política que os governos de ambos os países têm demonstrado na integração da América do Sul pode fazer com que a ligação ferroviária se concretize em poucos anos. "As obras de integração vão aparecer naturalmente com essas reuniões todas".
O projeto da segunda ponte sobre o Orinoco recebeu financiamento de US$ 384 milhões pelo Proex (Programa de Financiamento às Exportações), do Banco do Brasil. A obra também inclui ligações rodoviárias de 165 km ao todo, integrando três estados venezuelanos.
A atuação da Odebrecht na ponte é um exemplo do que se denomina "exportações de serviços". As empresas brasileiras coordenam o projeto e subcontratam firmas locais para executar os trabalhos. Para a ponte, foram contratadas 310 empresas venezuelanas. Além disso, a Odebrecht calcula que foram gerados 3,6 mil empregos diretos e pelo menos 18 mil indiretos. Entre as parceiras brasileiras estão a Usiminas e outras empreiteiras.
A Odebrecht atua hoje em mais de 20 paises. Na Venezuela, esta estabelecida desde 1992. Além da ponte, a empreiteira constrói atualmente trechos do metrô de Caracas e um projeto de irrigação na região de Maracaibo, a noroeste dos país. O faturamento atual da empresa no mundo todo é de cerca de US$ 2 bilhões anuais, sendo 80% deles fora do Brasil.

