São Paulo – Em 2013, as empresas brasileiras se internacionalizaram mais do que em 2012. De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral, no ano passado as companhias brasileiras alcançaram 22,9% de internacionalização. Um ano antes, o mesmo indicador atingira 21,3%. Do estudo participaram 52 multinacionais e 14 empresas que atuam no exterior por meio de franquias.
O índice de internacionalização, ou transnacionalidade, é resultado de três cálculos feitos pela Fundação Dom Cabral: a participação dos ativos obtidos no exterior em relação aos ativos totais; a participação das receitas obtidas no exterior em relação às receitas totais; e a quantidade de funcionários que a empresa tem no exterior em relação ao quadro geral de empregados da companhia.
Por este cálculo, a Construtora Norberto Odebrecht foi a empresa mais internacionalizada de 2013, com índice de 0,549. Foi seguida por Gerdau (siderúrgica), InterCement (fabricante de cimento), Stefanini (consultoria em softwares), Metalfrio (fabricante de refrigeradores), Magnesita (siderúrgica), Marfrig (frigorífico), JBS (frigorífico), Artecola (química) e Ibope (instituto de pesquisa). Foi a primeira vez nas últimas quatro edições do ranking que a liderança não foi ocupada pela JBS.
Pelo cálculo de quantidade de países em que as empresas atuam, a liderança ficou com a Stefanini, com atuação em 32 países, seguida pela fabricante de motores elétricos WEG, que tem presença em 31 nações, pela mineradora Vale, que está em 27 países, pela fabricante de ônibus Marcopolo (25) e pelo Banco do Brasil (24).
Já no cálculo que considera apenas as receitas, a liderança pertence à JBS, seguida pela Norberto Odebrecht, Magnesita, Marfrig e Gerdau. No cálculo por índice de ativos, a Magnesita lidera, seguida pelo frigorífico Minerva Foods, Stefanini, Metalfrio e Gerdau. Já no índice de funcionários, a liderança pertence à InterCement, seguida por Marfrig, JBS, Metalfrio e Gerdau.
O ranking indicou que as multinacionais que participaram da pesquisa atuam em 89 países. Desses, os Estados Unidos são os que mais têm presença de brasileiras: 39 empresas no total. Os norte-americanos são seguidos neste ranking por Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Peru, México, China, Venezuela, Paraguai, Portugal, Bolívia e Reino Unido, entre os que mais têm presença de multinacionais brasileiras.
Países e franquias
Entre os países árabes, as empresas brasileiras estão presentes na Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Omã. No Kuwait, as empresas atuam por meio apenas de franquias. O estudo mostra que em 2013 cinco empresas brasileiras deixaram a Argentina, o que foi motivado, na avaliação do estudo, pela situação econômica do país vizinho. Os árabes não perderam empresas brasileiras, ao contrário: a Arábia Saudita, os Emirados e o Líbano receberam uma empresa cada.
Entre aquelas que atuam por meio de franquias, a empresa mais internacionalizada foi a rede de locação de carros Localiza. Foi seguida pela rede Mundo Verde, que comercializa produtos naturais, pela rede de estética DepylAction, pela vendedora de óculos Chilli Beans, calçados Datelli, pela confecção Hering, pela rede de fast food Giraffas, pela cadeia de venda de iogurtes Yogoberry, pela de calçados Arezzo e pela rede de estética Magrass.
No caso das franquias, o cálculo de internacionalização leva em conta a presença de lojas no exterior em relação ao total de lojas; as receitas de royalties procedentes das operações no exterior sobre a receita de royalties geral; e a receita de venda de produtos para franqueados no exterior sobre as receitas de vendas para todos os franqueados.
Ainda segundo o levantamento, 65,1% das companhias que participaram do estudo pretendem expandir sua atuação este ano em países onde já atuam. Além disso, 55,6% pretendem entrar em novos países. O coordenador da pesquisa, Sherban Cretoiu, afirmou, no estudo, que as empresas se revelaram mais otimistas com as vendas no exterior do que no Brasil, o que pode ter relação com a desaceleração do mercado interno.


