São Paulo – Dois dias de festa regados a muita cerveja, música e comida árabe. Assim é a Oktoberfest da cidade de Taybeh, município que fica na região de Ramallah, na Palestina. O evento, baseado na tradicional comemoração alemã, acontece desde 2005, quando recebeu menos de cinco mil visitantes. Já na última edição, no ano passado, a festa teve mais de 15 mil participantes. Este ano, a Oktoberfest de Taybeh acontece nos dias 1º e 02 de outubro.
A festa na Palestina nasceu após a eleição de David Khoury como prefeito de Taybeh, há seis anos. Seu irmão, Nadim Khoury, dono da única cervejaria existente nos territórios ocupados, viu a oportunidade de criar um evento que promovesse seu produto e também que ajudasse a diminuir a alta taxa de desemprego da região.
“A Oktoberfest de Taybeh é organizada pela prefeitura da cidade e por suas entidades civis”, conta Maria Khoury, organizadora do evento. “Eu trabalho para facilitar o levantamento de fundos para trazer as bandas e todos os outros custos do festival, para que os empreendimentos locais e as cinco cooperativas de mulheres da cidade possam vender seus produtos e ficar com 100% do que for arrecadado”, diz. Segundo Maria, 50 pessoas trabalham na organização da festa.
A Oktoberfest começa às 11 horas e vai até às 22 horas. A música segue por todo o evento e conta com bandas locais e internacionais, inclusive do Brasil. “O público palestino tem amado os grupos vindos do Brasil. Pessoalmente, tenho apreciado muito a presença de bandas profissionais brasileiras nos últimos três anos. Este tem sido um modo maravilhoso de fortalecer a conexão entre a Palestina e o Brasil”, afirma Maria.
Ela revela que é a embaixadora brasileira em Ramallah, Lígia Maria Scherer, quem tem ajudado a trazer os grupos musicais brasileiros para se apresentarem no evento. “Esta tem sido uma incrível expressão de apoio e solidariedade”, destaca. Em 2009, a Oktoberfest palestina recebeu músicos do Clube do Choro de Brasília, em 2010 foi a vez do grupo Baião A7. Este ano, o evento recebe o Trio Rodrigo Lessa. “Eu, particularmente, diria que nos últimos anos as bandas brasileiras na Oktoberfest têm sido o ponto alto da nossa programação”, ressalta Maria.
Já a música dos grupos palestinos varia desde o Dabke até o hip hop. Entre os outros países que já participaram da festa, estiveram músicos da Grécia, Alemanha, Inglaterra e até dançarinos do Japão e do Sri Lanka. Em relação à comida servida no evento, ela é tipicamente árabe, com falafel e shawarma. Na festa de abertura da última edição, a festa contou ainda com a presença de 25 embaixadores, chefes de representações, cônsules e representantes diplomáticos.
Apesar de ser uma festa, o evento palestino também tem um forte caráter político e econômico. “A Oktoberfest de Taybeh impulsiona enormemente a economia, ajudando a reduzir a taxa de desemprego de 50% na cidade, criando empregos durante o festival. Ela também é o único ato de não violência que podemos ter sob as ásperas condições de vida que temos com esta brutal ocupação [israelense]”, afirma Maria. “Este festival é parte do nosso esforço para mostrar ao mundo que queremos poder realizar atividades normais que, para outras pessoas ao redor do mundo, fazem parte de seu cotidiano”, completa.

