Da redação
São Paulo – O Sultanato de Omã, localizado no extremo leste da Península Arábica, quer se tornar uma potência mundial do transporte marítimo, junto com os Emirados Árabes Unidos. No início deste mês a estatal Companhia de Petróleo de Omã (OOC) firmou uma joint-venture com outras três companhias para formar a Gulf Energy Maritime (GEM), uma nova transportadora de petróleo e derivados.
No ano passado, o governo do país árabe já havia fundado uma outra empresa para transportar gás natural liquefeito.
De acordo com informações do site árabe Menareport.com, especializado em economia e negócios, o aporte de capitais para a criação da GEM foi de US$ 430 milhões.
A OOC ficou com 30%, a Companhia Nacional de Petróleo dos Emirados (ENOC) com 35% e a Companhia Internacional de Investimentos em Petróleo (IPIC), baseada em Abu Dhabi (capital dos Emirados), com 30%. Os outros 5% ficaram com a francesa Thales.
A sede da empresa, segundo o jornal árabe Khaleej Times, será em Dubai, centro comercial dos Emirados, que, assim como Omã, trabalha para se tornar um entreposto mundial do transporte marítimo.
A Dubai Ports Authority (DPA), empresa que administra os portos de Dubai, prevê um crescimento de 20% no fluxo de cargas em seus terminais este ano. Já Omã, de acordo com informações da ONA (Agência de Notícias de Omã), conta com três portos "de classe mundial que estão ganhando reputação como importantes centros de transbordo".
O diretor-executivo da OOC, David Douglas, disse à ONA que a GEM irá assumir um "papel global" para satisfazer a crescente demanda por transporte limpo e independente de petróleo e derivados. A empresa terá uma administração independente de suas acionistas.
"As motivações deste investimento são a demanda crescente por transporte limpo e independente de petróleo, atender ao aumento da produção petroquímica na região e as rígidas leis globais em relação às embarcações mais antigas, que têm casco simples", afirmou Douglas.
Frota
Ele acrescentou que as normas internacionais de transporte desaprovam os navios de casco simples, pois são considerados perigosos e podem provocar derramamento de óleo. A nova linha de transporte irá operar com uma frota de embarcações de casco duplo, de última geração, que podem suportar o máximo de impacto possível em caso de acidente.
"Nós certamente teremos vantagens no mercado com a nossa nova frota de navios de casco duplo. E com as novas aquisições que faremos, com certeza vamos figurar entre as maiores frotas de petroleiros do mundo", disse o diretor-executivo da ENOC, Hussain Sultan, ao Khaleej Times.
De acordo com o jornal, a GEM terá uma frota de 6 navios, que no futuro será expandida para 16. As operações vão começar com duas embarcações e no próximo ano serão incorporados mais 4 navios fabricados pelo estaleiro coreano Hyundai.
Já a companhia fundada pelo governo de Omã em 2003, para transportar gás natural liquefeito, conta com dois navios e outros quatro, fabricados na Coréia do Sul e no Japão, que serão entregues no próximo ano.
Perfil
Omã está localizado em um ponto estratégico, bem na entrada do Golfo Arábico por onde passa grande parte do petróleo transportado para o mundo. A economia do país, cuja capital é Muscat, é baseada na exportação de petróleo e gás. O Produto Interno Bruto (PIB) registrado em 2003 foi de US$ 21 bilhões.
No ano passado as exportações brasileiras para o sultanato somaram mais de US$ 44 milhões. Os principais produtos embarcados foram carne de frango, tubos de ferro e aço para oleodutos e gasodutos, embutidos de carne, tratores de lagartas, chassis com motores e carrocerias para veículos. Entre janeiro e abril deste ano as vendas brasileiras para lá renderam R$ 10,1 milhões.

