São Paulo – Representantes do Arquivo Nacional de Omã virão ao Brasil no final do mês para discutir cooperação com o Arquivo e a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e com o Arquivo do Estado da Bahia, em Salvador. A visita é um desdobramento da viagem que o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, fez ao país árabe no início de abril.
De acordo com o chefe do Departamento do Oriente Médio II do Itamaraty, Carlos Leopoldo Gonçalves de Oliveira, além de estabelecer um canal de cooperação entre as instituições, a missão terá como objetivos estabelecer um grupo de trabalho para identificar pontos em comum na história dos dois países e auxiliar na tradução de documento em árabe em posse de órgãos públicos brasileiros, especialmente o arquivo baiano.
Brasil e Omã têm em comum a presença portuguesa a partir do século 16. Na mesma época em que começava a colonização do Brasil, Portugal estabeleceu um posto avançado na nação árabe para vigiar suas rotas de navegação pelo Oceano Índico. Fortes construídos nesta época em Mascate, a capital, são uma lembrança desta ocupação.
Conta-se também que o navegador omanita Ahmed Bin Majid ajudou Vasco da Gama a contornar o Cabo da Boa Esperança, então Cabo das Tormentas, e encontrar o caminho das Índias. Mas há controvérsias sobre a veracidade desta história. O fato é que Majid ficou conhecido como grande navegador e cartógrafo.
No que diz respeito aos documentos, a Bahia recebeu um grande número de escravos africanos muçulmanos no período colonial, que deixaram diversos manuscritos em árabe. A escrita, no entanto, é antiga, segundo Oliveira, e de difícil tradução. Ele acrescentou que o Arquivo de Omã tem um grupo de especialistas em textos arcaicos que pode auxiliar neste trabalho.
“Esta missão pode ter um bom efeito multiplicador”, disse o diplomata. A ideia é despertar o interesse de outros países árabes em ações semelhantes de cooperação. Ele citou como exemplo uma iniciativa já realizada com representantes do Líbano, que têm dificuldade em identificar os libaneses que se estabeleceram no Brasil em seus próprios arquivos, mas conseguem traçar a origem de imigrantes com base nos registros de entrada existentes em órgãos brasileiros.
Vão participar da missão o diretor da Divisão de Documentos Especiais do Arquivo Nacional de Omã, Hammoud Salem Al Hinai, e o assessor técnico do órgão e tradutor, Saif Abdullah Al Kalbaini. Eles serão acompanhados pelo embaixador omanita em Brasília, Khalid Salim Al Jaradi, pelo encarregado de negócios da embaixada, Omar Said Al-Kathiri, e por Oliveira.


