São Paulo – O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, visitou Doha, capital do Catar, nesta terça-feira (01) e destacou que a instituição pode auxiliar o país a atingir seus objetivos de desenvolvimento econômico. “O Catar tem uma visão sólida para sua população e sua economia. O comércio e a OMC já ajudaram a implementar esta estratégia e vão continuar a fazê-lo”, disse Azevêdo, de acordo com comunicado da organização.
O chefe da OMC teve reuniões com o ministro da Economia e Comércio da nação árabe, Ahmed Bin Jassim Al-Thani, com o presidente da Câmara de Comércio do Catar, Khalifa Bin Jassim Al-Thani, e com o comitê nacional responsável por temas relacionados à OMC. Ele ainda participou de um evento organizado pela Associação de Empresários do país.
Azevêdo destacou que o Catar pretende se tornar um polo de comércio e do setor financeiro e, nesse sentido, “reduzir o tempo e o custo da movimentação de mercadorias nas fronteiras pode fazer uma grande diferença”. Ele ressaltou que o Acordo de Facilitação do Comércio negociado no âmbito da OMC contém instrumentos para tanto e defendeu que o país ratifique o tratado. “Ao facilitar o fluxo de comércio, este acordo pode também auxiliar na diversificação econômica do Catar”, declarou.
Ele defendeu também a adoção da versão ampliada do Tratado de Tecnologias da Informação, negociada no ano passado, que prevê a eliminação de tarifas no comércio de 201 produtos do setor. A movimentação anual de mercadorias desta indústria é avaliada em US$ 1,3 trilhão, segundo a OMC, ou 10% do comércio global. “Isso é mais do que o comércio mundial de produtos automotivos”, afirmou.
Em sua avaliação, o tratado ampliado em matéria de TI trará redução de custos para companhias de todos os tamanhos e ajudará na criação de empregos. “Para o Catar, como membro original do Acordo de Tecnologias da Informação, este acordo ampliado é potencialmente muito frutífero”, opinou.
Azevêdo disse ainda que o sistema multilateral de comércio, representado pela OMC, precisa apresentar mais resultados e de forma mais rápida. A maior iniciativa nessa seara é a famosa Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, que tem este nome porque foi lançada durante uma reunião da OMC na capital catariana em 2001. As negociações, porém, nunca foram concluídas, ao passo que acordos negociados fora do âmbito da organização vão ganhando força, como é o caso da Parceria Transpacífico, formada por países das Américas, Ásia e Oceania.
“Está claro que todos os nossos membros querem enfrentar os grandes problema do comércio. Há atualmente um debate sobre a forma que este trabalho deve ter. Eu acredito que o Catar fará sua voz ser ouvida neste debate para nos ajudar a realizar reformas necessárias nas regras do comércio global”, concluiu o diretor-geral.
De acordo com a Qatar News Agency (QNA), o ministro da Economia e Comércio do Catar destacou que o país dá grande importância ao sistema multilateral de comércio, tanto que instalou um escritório do ministério na sede da OMC em Genebra, na Suíça. O ministro ressaltou que a Rodada Doha segue como prioridade e defendeu a negociação de pontos que travam o processo.
Nesta quarta-feira (02), Azevêdo visitará a Jordânia.


