São Paulo – A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê para este ano um aumento de 2,8% nos volumes de comércio mundial, o mesmo percentual observado em 2015. “Nesta base, 2016 será o quinto ano consecutivo de crescimento abaixo de 3%”, disse o diretor-geral da instituição, o brasileiro Roberto Azevêdo, nesta quinta-feira (07), em Genebra, durante entrevista coletiva para divulgação de dados e perspectivas sobre o comércio internacional. A organização espera uma maior aceleração, de 3,6%, apenas em 2017.
A entidade levou em consideração as projeções sobre o crescimento da economia mundial feitas por outras entidades multilaterais, de 2,4% este ano e de 2,7% no próximo. Segundo a OMC, as exportações das economias desenvolvidas deverão avançar 2,9% em 2016, e as das nações em desenvolvimento, 2,8%. Na outra mão, as importações dos países mais ricos poderão aumentar 3,3%, ao passo que as das economias em desenvolvimento deverão crescer apenas 1,8%.
A organização prevê que as exportações mundiais serão puxadas pela Ásia (3,4%), pela América do Norte e Europa (3,1% ambas), sendo que as Américas do Sul e Central deverão ampliar seus embarques em apenas 1,9%, e as “outras regiões”, em 0,4%. Já o avanço das importações será liderado pela América do Norte (4,1%), seguida da Ásia e Europa (3,2% ambas), com queda nas compras externas previstas nas Américas do Sul e Central e nas outras regiões.
Entre os riscos que podem impactar de forma negativa os números, a OMC cita a confiança dos consumidores, que está em baixa em países desenvolvidos, maior desaceleração em economias emergentes e a volatilidade do mercado financeiro internacional.
Embora os volumes do comércio internacional estejam crescendo, a OMC ressalta que os valores das operações estão em queda em função da valorização do dólar frente a outras moedas e da redução dos preços das commodities. No ano passado, embora o volume de mercadorias comercializadas tenha avançado 2,8% sobre 2014, o valor em dólar das transações caiu 13% para US$ 16,5 trilhões.
Ainda em relação a 2015, a organização destacou que as Américas do Sul e Central impactaram negativamente o crescimento das importações. Isso ocorreu principalmente por causa da recessão no Brasil, embora outros países da região também tenham contribuído.
Para Azevêdo, o baixo ritmo de crescimento atual é “atípico”, mas ele alertou que não é esperado um retorno a altas taxas de avanço no futuro próximo. É possível, no entanto, adotar medidas para incentivar o comércio internacional.
Nesse sentido, ele recomendou que os países membros da OMC revoguem medidas protecionistas adotadas em razão da crise financeira internacional e que ratifiquem o Acordo de Facilitação de Comércio, adotado no âmbito da organização em 2013, mas que só entrará em vigor quando for implementado por um terço dos 162 integrantes da entidade. O Brasil é um dos países que já ratificaram o tratado.
“A implementação do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC vai reduzir os custos do comércio global em até 15%. Este impacto é maior do que eliminar todas as tarifas remanescentes ao redor do mundo e pode injetar US$ 1 trilhão no comércio mundial”, declarou o diretor-geral.


