São Paulo – Os preços dos alimentos continuarão voláteis e altos nos próximos anos, de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira (10) pelas três agências das Nações Unidas que combatem a fome. Segundo o levantamento "Situação da insegurança alimentar no mundo em 2011", divulgado em Roma, essa volatilidade e alta dos preços contribui para a insegurança alimentar, o aumento da pobreza e torna consumidores e países mais vulneráveis.
Ainda de acordo com o estudo, divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (IFAD) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP), países pequenos e dependentes da importação de alimentos, especialmente na África, são os mais afetados pelo problema.
De acordo com o estudo, a demanda de consumidores em países em desenvolvimento vai aumentar, a população continuará a crescer e qualquer aumento no consumo de biocombustíveis deverá resultar em maior pressão sobre o preço dos alimentos. As três agências também afirmam que o aumento da instabilidade do preço dos alimentos poderá até aumentar na próxima década por causa do estreitamento das relações entre os mercados agrícola e de energia e por causa dos "eventos climáticos extremos", cada vez mais frequentes.
Essa alta de preços poderá prejudicar a busca por atingir a meta dos objetivos do Milênio, que prevê reduzir a miséria no planeta. Os diretores da FAO, Jacques Diouf, do IFAD, Kanayo Nwanze, e do WFP, Josette Sheeran, afirmam no estudo que é inaceitável ter, em 2015, milhões de pessoas sofrendo de fome. "Mesmo que as Metas do Milênio sejam alcançadas em 2015, cerca de 600 milhões de pessoas em países em desenvolvimento ainda estariam desnutridas. Ter 600 milhões de pessoas sofrendo de fome todos os dias é algo nunca aceitável".
As agências afirmam que a solução para a insegurança alimentar depende de economias fortes e de grandes produtores mundiais de alimentos. De acordo com o estudo, grandes produtores ajudam a combater a insegurança alimentar quando reagem à elevação de preços com o aumento da sua produção. O estudo também defende investimentos em agricultura com ênfase nos pequenos produtores, que em alguns casos são os principais produtores de alimento em países em desenvolvimento.

