Agência Brasil
Tunis – A segunda fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação começou hoje (16) pela manhã, em Tunis, capital da Tunísia, com um apelo da Organização das Nações Unidas (ONU) para que os países membros e a comunidade internacional passem das discussões aos fatos e promovam o amplo acesso às tecnologias de comunicação.
"Os obstáculos são mais políticos que econômicos", enfatizou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na cerimônia de abertura da cúpula. Um passo possível e necessário, segundo ele, para a inclusão digital é a redução dos custos com telefonia. "Temos de demonstrar vontade para conseguir isso", disse.
Annan destacou também a importância de a comunidade internacional ter voz nas decisões relativas ao gerenciamento da internet, sob controle dos Estados Unidos. "Os Estados Unidos merecem o nosso agradecimento por ter desenvolvido a Internet. O país tem exercido a supervisão da rede mundial de maneira justa e honrada", disse Annan. "Mas todos reconhecerão a necessidade de uma maior participação internacional". A principal questão a ser negociada, agora, segundo o secretário-geral da ONU é como chegar a essa participação.
Na noite de ontem (15), diplomatas e técnicos de 170 países chegaram a um acordo preliminar sobre o controle da internet. O acordo ainda precisa ser ratificado pela conferência e não foi divulgado oficialmente. Diplomatas de vários países, inclusive do Brasil, no entanto, disseram que os negociadores concordaram com a criação de um fórum intergovernamental formado por representantes do poder público, de empresas e da sociedade civil, no qual seriam discutidas questões como crimes cibernéticos e vírus de computador.
Os mecanismos de funcionamento do novo fórum serão negociados em reuniões posteriores e podem vir a ser amplos ou restritos. Até lá, os Estados Unidos continuam supervisionando, por meio do seu Departamento do Comércio, a Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann), empresa privada com sede na Califórnia que controla os números e códigos de acesso às paginas da web.
Diplomatas americanos disseram à mídia internacional que nada mudou no papel do governo dos Estados Unidos no que diz respeito aos aspectos técnicos. Mas, o assessor especial da Casa Civil para Políticas Públicas do Brasil, André Barbosa Filho, já considera um grande avanço os Estados Unidos terem concordado com a proposta de criação do Fórum, defendida por vários países, como Brasil e os membros da União Européia.

