São Paulo – The 99, grupo de super heróis criado pelo kwuaitiano Naif Al-Mutawa, está prestes a ganhar um integrante brasileiro: Hafiz the Preserver (algo como “Hafiz, o Conservacionista” em tradução livre), codinome de Carlos Valmor Jatobá Cauê, um garoto de 14 anos nascido em uma vila remota da Amazônia, que tem o poder de manipular as plantas.
Segundo Mutawa, a inspiração para o personagem surgiu durante a inauguração do parque temático do The 99, no Kuwait, em 2009.
“Eu fiquei simplesmente incomodado com o nível de poluição na abertura, com lixo jogado por todas as partes”, disse o autor à ANBA por e-mail. “Então eu decidi que nós precisávamos de um integrante ambientalista para o The 99 e que ele seria o nosso personagem brasileiro, completo com pano de fundo amazônico”, acrescentou.
A estreia de Hafiz será em grande estilo, ele vai aparecer na terceira edição da minissérie em que o The 99 vai se encontrar frente a frente com a Liga da Justiça da América (LJA), equipe formada pelo Super Homem, Batman, Mulher Maravilha e outros heróis famosos da norte-americana DC Comics.
A série especial em seis capítulos será lançada no final de outubro nos Estados Unidos. O roteiro está a cargo de Fabian Nicieza e Stuart Moore, a arte de Tom Derenick e as capas de Felipe Massafera, um dos vários brasileiros que fazem sucesso na indústria norte-americana de quadrinhos. Nicieza e Moore, que têm passagens por títulos famosos das “duas grandes", Marvel e DC, são roteiristas regulares da publicação kuwaitiana.
“O The 99 e a LJA não vão confiar um no outro e nós vamos descobrir que são os vilões que causam a desconfiança para conseguir seus objetivos. Só quando [os dois grupos] colaboram entre si é que eles conseguem realmente vencer o mal”, afirmou Mutawa sobre o argumento da minissérie.
Diálogo
A promoção do diálogo entre Oriente e Ocidente foi justamente a inspiração para a criação da revista The 99. O autor disse que teve a ideia frente “às coisas terríveis” cometidas por certas pessoas em nome do Islã.
“Eu queria mostrar que essas pessoas são o problema, não o Islã”, declarou Mutawa. “E certamente, se é possível criar uma mensagem positiva e divertida, parques temáticos e quadrinhos, a partir da mesma fonte onde outros tiram mensagens de ódio, então o problema não pode ser o Islã”, destacou ele, que é psicólogo de formação.
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou o gibi em discurso. Ele disse que as histórias instigam a imaginação dos jovens por meio de uma mensagem de tolerância.
O número do título diz respeito a 99 pedras mágicas. Cada uma dá a seu portador um entre 99 poderes de Deus citados no Alcorão. “Eu sou muçulmano e o The 99 é influenciado pelo Islã, mas não há conteúdo religioso”, destacou o autor. Os personagens têm diferentes origens, apesar da inspiração islâmica, como mostra o caso do herói brasileiro.
Para elaborar seus personagens, o autor, que era escritor amador e não sabe desenhar, teve o auxílio de profissionais da área que já tinham trabalhado em publicações como Super Homem (DC) e Homem Aranha (Marvel). “Eu era um amador e foi necessária a colaboração de especialistas para profissionalizar minha criação e elevá-la a outro nível”, ressaltou.
O gibi The 99 é publicado em inglês e árabe e vende bem, segundo Mutawa, no mundo árabe, Índia, China Turquia e Indonésia. Em breve será lançado um desenho animado baseado nos quadrinhos.
A Teshkeel Comics, criada por ele, já vendeu os direitos para tradução das histórias ao chinês, turco, indonésio, híndi e urdu. E há intenção de publicar no Brasil, em português? “Se nós encontrarmos um parceiro para tanto, certamente!”, respondeu Mutawa, CEO da empresa que tem investidores de vários países.

