São Paulo – O Oriente Médio cresceu em participação nas exportações da Fras-le, fabricante brasileira de autopeças pertencente ao grupo Randon. De acordo com dados divulgados pela companhia na última semana, o Oriente Médio passou de uma fatia de 3,2% das vendas externas da Fras-le nos nove primeiros meses do ano passado para 4% no mesmo período deste ano. A África, outra região que reúne países árabes, participou com 5,7% neste ano e 4,8% em 2010, também com avanço.
Em conferência aos investidores e jornalistas, na sexta-feira (04), os executivos da empresa mostraram-se extremamente satisfeitos com o desempenho das exportações e das unidades da companhia no exterior, na China e nos Estados Unidos. “Além de incremento de receita [das unidades] no exterior, vindo da China e Estados Unidos, estamos conseguindo crescer nas exportações do Brasil”, disse o diretor da empresa, Daniel Raul Randon. O faturamento do exterior (exportações e unidades lá fora) atingiu US$ 112 milhões, contra US$ 94,2 milhões, aumento de 19%.
Apenas as exportações tiveram receita de US$ 86,7 milhões de janeiro a setembro, com crescimento de 10,6% sobre os mesmos meses de 2010. No terceiro trimestre, as vendas externas ficaram em US$ 25 milhões, com recuo de 1,7% sobre o mesmo período de 2010. A queda, segundo Randon, se explica pelo fato de que não foram contabilizadas, na receita, mercadorias ainda por embarcar no porto, mas ele comemorou mesmo assim o desempenho das exportações, pois a balança comercial do setor de autopeças deve enfrentar déficit de US$ 4 bilhões neste ano.
No exterior, o grande mercado da Fras-le é o Nafta, bloco que reúne Estados Unidos, México e Canadá. A região participou com 62,1% do total exportado, seguida de América do Sul, com 17,6%, Europa, com 6,4%, África, com 5,7%, Oriente Médio, com 4%, América Central e Caribe, com 2,1%, e Ásia e Oceania, com 1,9%, além de 0,2% com outros mercados menores. O Nafta, no entanto, caiu em participação, já que estava em 64,2%. Também a Europa caiu em participação, já que representava 7,1% nos primeiros nove meses do ano passado.
Segundo o responsável pela área de Relações com Investidores da Fras-le, Jorge Roberto Gomes, a empresa vem conseguindo aumento de preços junto aos clientes, alguns já feitos em outubro, o que deve impactar nos próximos resultados. E ainda há, segundo ele, espaço para trabalhar outros aumentos. A Fras-le também mantém seus investimentos, de acordo com Gomes, na capacidade de manufatura no Brasil e exterior. A empresa prometeu continuar atenta às políticas econômicas, principalmente na Europa e EUA, que passam por crises.
A receita bruta total da Fras-le atingiu R$ 562,5 milhões nos nove primeiros meses do ano, com crescimento de 9,1% sobre os mesmos meses de 2010. A receita bruta consolidada ficou em R$ 408,5 milhões, com avanço de 8,4%, e o Ebitda ficou em R$ 50,9 milhões, com queda de 16,7%. O lucro bruto consolidado caiu 10,2% para R$ 105 milhões e o lucro líquido consolidado recuou 5,7% para R$ 34,7 milhões.
No terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, as receitas também avançaram (a bruta total foi de R$ 183 milhões, com alta de 5,1%) e os lucros caíram (o bruto consolidado ficou em R$ 33,8 milhões, 7,1% inferior).
A companhia tem sede na cidade gaúcha de Caxias do Sul e mantém mais de 250 mil funcionários. Ela fabrica materiais para fricção. As peças vão desde revestimento de embreagens até lonas, pastilhas e sapatas para diferentes tipos de veículos. A empresa fornece para montadoras e também para o mercado de reposição no Brasil e exterior.

