Isaura Daniel
São Paulo – O Oriente Médio é uma das regiões do mundo para onde as exportações brasileiras de calçados infantis têm mais chances de crescer em 2007. A opinião é do presidente do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigüi (Sinbi), José Roberto Colli. Birigüi é atualmente o maior pólo fabricante de calçados infantis do Brasil e concentra cerca de 70% da produção neste tipo de sapato. Há 159 fábricas instaladas no município, das quais 90% produzem calçados para crianças.
As indústrias da região montaram na 34ª Couromoda, Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro, que está ocorrendo em São Paulo, um mini-fábrica de calçados infantis. Ali, em um estande gigante chamado A Fantástica Fábrica de Sapatinhos, as indústrias estão de fato produzindo calçados para demonstrar aos lojistas do Brasil e do exterior como é feito o calçado em Birgüi. O pólo produz atualmente 57 milhões de calçados e exporta 11,6% da produção para mais de 70 países.
Os mercados mais fortes das indústrias de calçados infantis no exterior, segundo Colli, são Oriente Médio e América do Sul. O presidente do Sinbi acredita que as exportações em geral devam se manter estáveis neste ano, em função principalmente da valorização da moeda brasileira frente ao dólar, que dificulta o aumento das vendas. Para o Oriente Médio, porém, Colli acredita que as exportações têm chances de crescer. "Se há uma região onde dá para crescer, mesmo nas condições atuais, é lá. O poder aquisitivo de lá é muito alto".
Os importadores do Oriente Médio, segundo Colli, costumam comprar calçados infantis confortáveis, com numeração baixa e sem salto. "É uma região quente que se identifica muito com o Brasil. O que produzimos aqui cai bem lá", afirma o presidente do Sinbi. A concorrência com a China, segundo ele, não é tão forte, já que apesar de eles oferecerem preços baixos, não conseguem ter um calçado com um design tão bom quanto o brasileiro. "Os árabes gostam muito de design", afirma.
O pólo de Birigüi vai participar nos dias 22 e 23 de maio deste ano do Projeto Comprador, no qual ocorrem rodadas de negócios entre os fabricantes nacionais e importadores, que vêm ao Brasil bancados pelo programa. Os árabes, segundo Colli, devem ser também convidados. O projeto é promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Agência de Promoção de Investimentos e Exportações do Brasil (Apex) e neste ano deve também ter a organização do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Ele vai ocorrer na cidade de São Paulo e além das fábricas de Birigüi terá também empresas do pólo de Jaú e de Santa Cruz do Rio Pardo, também municípios paulistas.
Birigüi e o Brasil
No pólo de Birigüi, entre as 159 fábricas de calçados, a grande maioria é de pequeno e médio porte. Apenas 15 empresas são grandes. O pólo de calçados infantis começou a se formar há cerca de 40 anos. Colli acredita que neste ano o consumo interno deve impulsionar a produção das fábricas locais. A projeção de crescimento para a produção, no ano, é de 5% a 10%.
"As crianças estão consumindo mais calçados por causa da moda, da inovação, da mídia. A criança vê e pede ao pai. E o pai deixa de comprar para ele para comprar para o filho", afirma. No Brasil todo, segundo o presidente do Sinbi, a produção de calçados infantis é de cerca de 80 milhões de pares ao ano, dos quais ao redor de 10% é exportado.
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