São Paulo – O Oriente Médio saiu de uma participação de 6% nas exportações do grupo Randon no primeiro semestre do ano passado para 3% este ano, segundo balanço divulgado pela companhia na noite desta quarta-feira (12). A empresa produz veículos e implementos rodoviários, vagões ferroviários, autopeças e atua com serviços financeiros. Ela é a maior fabricante latino-americana de reboques e semirreboques. Nos países árabes, a Randon tem operações no Egito e na Argélia, onde mantém produção terceirizada.
O grupo teve queda de 23,6% na receita das exportações em dólares, de US$ 101,6 milhões de janeiro a junho de 2014 para US$ 77,6 milhões em iguais meses deste ano. Também de abril a junho houve recuo, de 22,1%, de US$ 48,6 milhões para US$ 37,8 milhões. Mas a companhia ressaltou que o desempenho no mercado externo foi melhor do que no doméstico, onde a receita recuou mais, 33,1% no semestre e 32,4% no trimestre.
O dólar valorizado beneficiou as vendas externas, segundo informações do relatório, mas o vice-presidente de Administração e Finanças da empresa, Daniel Randon, lembrou, em conversa com investidores nesta quinta-feira (13), que em alguns mercados no exterior o dólar também se valorizou. Além disso, países da África e América do Sul tiveram queda na economia interna, segundo ele.
“A desvalorização do real não foi suficiente para compensar a baixa no desempenho destes mercados”, disse o diretor financeiro e de relações com investidores da Randon, Geraldo Santa Catharina. “Países para onde exportamos também passam por dificuldades econômicas”, afirmou ainda o diretor financeiro.
As vendas para a África, segundo a empresa, foram afetadas pelo preço do minério e petróleo. “Reduzem o potencial de investimentos nestes destinos”, disse a Randon. A África também perdeu participação nas exportações da companhia. Ela respondia por 17% das vendas externas da empresa no primeiro semestre do ano passado, mas a fatia caiu para 12%.
A Europa também caiu de 5% de participação para 2%, e o Nafta de 34% para 33%. Ásia e Oceania ficaram estáveis, cada uma com 1%. Ganharam participação nas vendas a América do Sul e Central, que saíram de 7% para 8%, e Mercosul e Chile, de 29% para 40%.
A companhia teve queda em quase todos os indicadores apresentados. A receita bruta total recuou 30,5% no primeiro semestre e 29,4% no segundo trimestre, para R$ 2 bilhões e US$ 1 bilhão, respectivamente. O lucro líquido consolidado caiu quase 100% nos dois períodos e o Ebitda consolidado caiu 66% também nos dois períodos.
Os executivos da empresa destacaram, na conferência, o ambiente de baixa confiança econômica no Brasil, mas Santa Catharina ressaltou que ações da Randon diminuíram o impacto negativo deste cenário. “Um dois piores ciclos econômicos dos últimos anos”, disse o diretor, citando a alta na inflação e desemprego. Daniel Randon afirmou que, em função disto, a empresa está reforçando suas parcerias no exterior e buscando novas.
A meta de exportação para o ano foi revisada de US$ 300 milhões para US$ 265 milhões. Mas os executivos afirmaram que esperam maior reflexo nos negócios internacionais da desvalorização do real frente ao dólar. Eles disseram também que a empresa deve estar mais ajustada em suas despesas e tamanho (ao cenário econômico atual) no segundo semestre deste ano. Apesar da revisão para baixo também da receita, a companhia vai manter os investimentos previstos, R$ 120 milhões.


