São Paulo – Mais de 13 milhões de crianças e adolescentes estão impossibilitadas de frequentar a escola em função dos conflitos e problemas políticos do Oriente Médio e Norte da África. O dado faz parte do relatório Educação sob Fogo divulgado nesta quinta-feira (03) pelo Fundo para a Infância das Nações Unidas (Unicef). O documento aborda o impacto dos enfrentamentos no ensino em nove países: Síria, Iraque, Líbano, Jordânia, Turquia, Iêmen, Líbia, Sudão e Palestina.
Segundo o documento, o ataque a escolas e infraestrutura de educação são os principais motivos que impedem o acesso ao ensino. Apenas na Síria, Iraque, Iêmen e Líbia, cerca de nove mil escolas pararam de funcionar porque foram danificadas ou destruídas, e também porque estão sendo destinadas para abrigar civis deslocados ou foram ocupadas por uma das partes do conflito. O medo de enviar os filhos à escola, pelo que pode lhes acontecer no caminho ou na escola, também está entre os fatores.
Há ainda o caso dos refugiados. Na Jordânia, Líbano e Turquia, mais de 700 mil refugiados sírios não podem frequentar as escolas por que elas estão sobrecarregadas e não comportam novos alunos. “Não se trata apenas de danos físicos a escolas, mas do desespero sentido por uma geração de crianças que vê suas expectativas e seu futuro totalmente postos em risco”, afirma em material divulgado pela Unicef o diretor geral da instituição para Oriente Médio e Norte da África, Peter Salama.
A Unicef destaca medidas capazes de amenizar o problema e ajudar as crianças a aprender mesmo em circunstâncias difíceis, como o autoaprendizado e o aumento da estrutura de ensino.
O relatório diz ainda que o financiamento para o setor não é suficiente para atender as necessidades crescentes. O organismo também faz um apelo à comunidade internacional para que sejam oferecidos serviços de educação informal a essas crianças em situação de vulnerabilidade, prestado apoio aos sistemas de ensino nestes países e entre os refugiados, e reconhecidos serviços de educação não formal.


