Isaura Daniel
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São Paulo – Amanhã (27) e no sábado, nos pavilhões do Riocentro, os irmãos Adrian e Antoine Jaoude, vão levar um pouco do mundo árabe para os Jogos Pan-Americanos, que estão ocorrendo no Rio de Janeiro. Os dois atletas brasileiros, que competem em luta livre, têm origem libanesa e vivem em casa uma rotina facilmente confundível com as de famílias de países árabes. No almoço, kibe, homus e coalhada fazem parte do cardápio. Nas conversas domésticas, a língua é a árabe. O idioma usado no Oriente Médio, aliás, deve acompanhar os dois no tatame durante a competição deste final de semana.
Adrian e Antoine Jaoude costumam dar dicas um ao outro, quando estão lutando, na língua nativa de seu pai. "Levanta a cabeça, ele vai atacar pelo lado esquerdo", diz Antoine, dando um exemplo do conteúdo das conversas na hora da luta. Os dois, claro, lutam individualmente como pede o esporte. Mas quem está do lado de fora da competição ajuda o outro com as dicas. A vantagem é que os adversários normalmente não entendem o que eles estão dizendo. "Isso já foi decisivo em muitos momentos", diz Adrian, em entrevista por telefone à ANBA, da Vila Pan-Americana.
Adrian, que tem 25 anos, nasceu no Líbano, em uma cidade chamada Jel El Dib, e veio para o Brasil com oito anos. Antoine, com 30 anos, foi morar com os pais no país árabe aos seis meses e voltou ao Rio de Janeiro aos 14 anos. Os pais dos lutadores foram a passeio para o Líbano, mas em função da guerra civil que ocorria, não conseguiram voltar. Adrian, então, nasceu em Jel El Dib no dia 10 de novembro de 1981. No país árabe, os dois freqüentaram a escola e aprenderam a falar árabe. "As minhas lembranças de lá são dos amigos, do colégio, dos passeios com os pais", diz Adrian.
O parente mais próximo de origem libanesa é o pai dos dois, que também se chama Antoine Jaoude. Seu Jaoude veio para o Brasil ainda na juventude, junto com um tio, e se casou com a mãe dos lutadores, que é do Rio Grande do Norte. Como fala sete idiomas, o pai dos garotos começou a vida no Brasil trabalhando com tradução em uma grande empresa. Antoine herdou algumas das habilidades do pai, pois também fala vários idiomas: cinco. O interesse pela luta livre, na verdade, começou durante a estadia no Líbano. "Meu avô era fã do esporte. Eu via na tevê", diz o filho de libanês.
Antoine começou a treinar mesmo, porém, na volta ao Brasil. Adrian também iniciou no esporte cedo, com 11 anos. Mas praticava a arte marcial aikido. A primeira competição profissional, em luta livre, foi aos 18 anos. Hoje Adrian já acumula vários títulos. Foi seis vezes campeão brasileiro, terceiro lugar nos Jogos Sul-Americanos de 2006, em Buenos Aires, e 16º no Campeonato Mundial também do ano passado. Antoine é o principal nome da luta livre em sua categoria no Brasil. Foi 12 vezes campeão brasileiro e medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2003, em Santo Domingo.
Adrian luta, nos Jogos Pan-Americanos, na sexta-feira pela manhã, na categoria até 84 quilos. Antoine compete no sábado, também pela manhã, na categoria até 96 quilos. Os Jogos Pan-Americanos começaram no dia 12 de julho e seguem até o dia 29 de julho. Participam 5.662 atletas de 42 países das Américas. O Brasil está entre os três primeiros colocados do Pan, juntamente com Estados Unidos e Cuba.