Manaus – O grupo de estudantes sauditas que está em viagem de intercâmbio ao Brasil visitou nesta quinta-feira (30) a Comunidade São Tomé, localizada no município de Iranduba, a 50 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas. Foi a primeira vez que o local recebeu a visita de árabes.
“Não tenho ideia de onde fica a Arábia Saudita”, disse o comerciante Pedro da Silva sobre o país de origem dos visitantes. Segundo o ribeirinho, a maior parte dos turistas que vem à comunidade, que está a duas horas de barco da capital do estado, é dos Estados Unidos e da França.
A Comunidade São Tomé abriga 50 pessoas, cuja renda vem principalmente da pesca e do turismo. “Eles são muito simpáticos, apesar de a gente não entender o que eles falam”, afirmou Vânia Mendes, vendedora da loja de artesanato local, depois de receber 30 reais de gorjeta de um dos estudantes, que comprou um boné vendido por ela.
“As famílias que vivem na Amazônia precisam de apoio”, declarou Abdulrahman Abdulraihm, de 23 anos, o comprador da peça. “É importante que eles tenham meios de se manter em sua própria região, sem precisar ir para as cidades grandes”, ressaltou.
O vendedor Paulo Moraes falou sobre a importância dos turistas para a comunidade. “A renda aqui é fraca. Quando eles vêm e compram uma água, um sorvete, já ajuda”, disse.
Os estudantes presenciaram, também nesta quinta-feira, o encontro das águas dos rios Negro e Solimões, que se unem para formar o rio Amazonas. O grupo visitou ainda a região do rio Ariaú, onde puderam andar em meio à Floresta Amazônica.
“Eu me senti eufórica. Você só vê isso em livros e no cinema, especialmente na Arábia Saudita, que não tem muito verde”, afirmou Sara Almaeena, de 23 anos. “Eu adorei ver as árvores, a água, as pessoas.”
“Aqui é vida real, não o que a mídia mostra”, disse a jovem Waad Aldossary, de 17 anos, que jogou uma partida de futebol junto com os moradores de São Tomé e os colegas de grupo. “Se tivesse que escolher um lugar para passar as férias, viria para cá. É um lugar muito bom e sem diferenças entre homens e mulheres”, destacou.
Durante o trajeto de barco, os estudantes assistiram a palestras sobre o trabalho de preservação ambiental realizado pela Fundação Amazonas Sustentável e também pelo Centro Estadual de Unidade de Conservação (CEUC) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

