Dubai – Um dos maiores patrimônios da cultura árabe é a arte de negociar e é nos souks, geralmente feiras e mercados ao ar livre, em que se procura e acha de tudo um pouco no mundo árabe. Comida, tecidos, tapetes, temperos, artesanatos, joias, bijuterias, enfeites. Pensando bem, talvez tenha tudo nesses lugares.
Dubai, o mais famoso e visitado dos sete emirados árabes, tem pelo menos três souks que merecem a visita – e longas negociações. É verdade que a cidade tem atrações muito interessantes, como o Burj Khalifa, que é o prédio mais alto do mundo, o Dubai Mall, maior shopping do mundo, o prédio Burj Al Arab, famoso cartão postal em formato de vela, as ilhas em formas de palmeira construídas no mar. Atrações não faltam, mas não deixe de ir a um souk.
O mais antigo deles, em Deira, fica num lugar que pouco lembra a cosmopolita e moderna Dubai. A região não se destaca pela organização nem pelo planejamento urbano. Lojinhas e mesquitas se multiplicam entre uma multidão de árabes, paquistaneses, indianos e turistas, muitos turistas. Todos em busca de dois souks da região: um de ouro. O outro, de tudo mais.
Quem busca echarpes feitas de cashmere não terá do que reclamar. Ou melhor, terá: do preço. Saber quanto custa uma peça não é tarefa fácil, pois os vendedores primeiro se ocupam em mostrar a peça, as cores, os tamanhos, em descrever sua origem, em vesti-las no cliente para só depois anunciar: US$ 50. Acalme-se. Eles sabem que o cliente irá se assustar, reclamar, pechinchar. É aí que entra a arte da negociação.
Eles também dirão que o cliente é pão-duro, que não é possível reduzir o preço. Teatro melhor não há. Negocie. Insista. O preço final pode até não melhorar muito, mas dá para sair de lá com duas peças pelo preço de uma. Com enfeites e ouro também é possível negociar, mas é nos tecidos que a pechincha mais compensa. E tenha paciência, afinal não se sai de uma loja com compras nas mãos em menos de uma hora.
Um souk moderno
Dubai tem um souk novo, organizado e tranquilo. Se no mercado de Deira os visitantes chegam de carro, ônibus, metrô, barco ou a pé, no souk Madinat Jumeirah o melhor jeito de chegar é de carro, e geralmente há trânsito. Lá, dentro de um complexo de shopping, teatro, hotel, lojas, redes de cafeteria internacionais e restaurantes há até um lago artificial em que é possível navegar em um barquinho alugado. No souk de Deira também é possível andar de barco, em meio a embarcações lotadas de imigrantes e que utilizam o sistema como meio de transporte.
No Souk Madinat, as lojas são organizadas e os produtos não são dos mais baratos, mas ali também há espaço para negociação. É possível encontrar uma pequena caixa artesanal de madeira por aproximadamente 40 dirhans (o equivalente a R$ 28,60). Com negociação, dá para convencer o vendedor a reduzir o preço a até 30 dirhans (R$ 21,40). O mesmo vale para roupas e enfeites. Aliás, muitas das peças que se encontram no souk de Deira também estão disponíveis aqui.
Dubai tem outro souk, mas este é bem diferente. É uma ala de roupas e utensílios inspirados em desenhos árabes dentro do Dubai Mall. Nele os produtos são luxuosos. Alguns ganham detalhes em ouro e pedras preciosas. Esse souk tem conforto, beleza, peças que mesclam o tradicional e o moderno e grife, mas fica devendo um ‘detalhe’ ao cliente: aqui, a pechincha e a negociação não têm muito espaço.
Serviço
Souk Madinat Jumeirah – http://www.jumeirah.com/en/hotels-resorts/dubai/madinat-jumeirah/facilities/souk-madinat-jumeirah/
Deira Souk – Dubai Creek – próximo à estação de metrô Al Ghubaiba.
Souk Dubai Mall – Financial Centre Road (Doha Road)


