Da Agência CNI
Curitiba – O industrial paranaense está mais otimista com o desempenho dos negócios em 2008, informa a pesquisa Sondagem Industrial, coordenada pelo Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). A confiança dos industriais alcançou 87,87%, o mais alto índice desde a primeira edição da pesquisa, em 1996. No ano passado, 74,07% tinham expectativas positivas.
Segundo o presidente da FIEP, Rodrigo da Rocha Loures, o otimismo dos industriais é resultado do bom momento da economia. As vendas industriais do Paraná tiveram uma expansão de 11% este ano. "É o crescimento mais expressivo desde 1992", lembrou Rocha Loures. O resultado, na verdade, foi uma recuperação da fraca performance dos anos anteriores, impulsionado, sobretudo, pelo desempenho da agropecuária, pelas exportações de materiais de transporte, o aumento do consumo interno e o aquecimento da construção civil.
A tendência de crescimento deve se manter no próximo ano, mas em patamar mais baixo, avalia Rocha Loures. A própria economia do país e do Estado deve continuar apresentando indicadores positivos. "Nossa previsão é de que a economia brasileira continuará crescendo pouco acima de 5% e o Paraná deve manter um índice acima dessa média", disse.
Isso faz com que os empresários se mostrem dispostos a investir mais. "À medida que se intensificar a inovação nas empresas deve haver aceleração no crescimento. Já há tendência de investimentos nesse sentido", destacou o presidente da FIEP.
A Sondagem Industrial indica isso. Entre os empresários que se declaram otimistas em relação a 2008, 38,23% devem fazer investimentos em 2008, 37,13% prevêem aumento das vendas, mas apenas 24,64% acreditam em ampliação no nível de emprego. Os investimentos serão destinados, sobretudo, ao aumento da produtividade, seguido de aumento da capacidade produtiva, modernização tecnológica, melhoria de processo e desenvolvimento de produtos. As indústrias seguiram esse caminho em 2007: 65,24% delas indicam terem registrado aumentos de produtividade neste ano.
Mesmo com a boa expectativa, a busca de ganhos de produtividade reflete incertezas em relação às condições externas, como as recorrentes elevações da carga tributária, novamente a campeã entre os obstáculos para o desenvolvimento (81,82%). Nas 12 sondagens realizadas pela FIEP, a carga tributária sempre foi apontada como o principal entrave para os negócios. "É um dos principais fatores que impedem que essa boa fase da economia se transforme em um ciclo de crescimento. Hoje é apenas um surto de crescimento, que pode acabar em poucos anos", alertou o presidente da FIEP.
Ele acredita que o Brasil tem condições crescer a uma média de 7% a 10% ao ano. "O que impede isso é o mau funcionamento do setor público, que compromete a competitividade das empresas", destacou.

