Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil deve atrair mais investimentos árabes nos próximos anos. A afirmação é do secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby. A entidade acaba de concluir um estudo para estrangeiros interessados em investir no Brasil. O documento será distribuído para empresários árabes em viagem ao país e também levado até eles em caso de viagens organizadas pela Câmara Árabe ao Oriente Médio e Norte da África. No ano passado, os árabes responderam por apenas 0,02% do total de US$ 18,8 bilhões que o Brasil recebeu em Investimento Direto Estrangeiro (IDE).
De acordo com Alaby, entre as áreas nas quais o Brasil pode esperar investimentos árabes estão a de turismo, energias alternativas e pecuária. No ano passado, o Líbano foi o principal país árabe a investir no Brasil, com US$ 2,3 milhões, e o Bahrein foi o segundo, com US$ 1,05 milhão. O secretário-geral acredita que os investimentos estão concentrados no setor financeiro e criação de animais. O estudo da Câmara Árabe, cujo título é Um Panorama dos Investimentos, tem por objetivo dar uma visão geral aos empresários árabes do atual ambiente econômico do Brasil para investimento.
A pesquisa mostra dados gerais do país, como Índice de Desenvolvimento Humano, que está em 0,792, o número de pessoas alfabetizadas, 88,6% da população, a força de trabalho, de 96 milhões, e também cita as características da economia que propiciam os investimentos. Ente elas estão a taxa de câmbio flutuante, o regime de metas de inflação, a política fiscal rígida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), conjunto de medidas econômicas lançadas pelo governo brasileiro no começo deste ano para acelerar o crescimento do país.
De acordo com o estudo, porém, o país estará mais propício para as aplicações estrangeiras se fizer reformas em algumas instituições, como as agências reguladoras e o Poder Judiciário. Atualmente, segundo a pesquisa, as empresas enfrentam muita morosidade e burocracia na Justiça brasileira. A alta carga tributária também é relatada como um empecilho ao aumento dos aportes estrangeiros. Os impostos respondem por 38% do PIB do Brasil, conforme aponta o estudo. As leis trabalhistas inflexíveis são outra dificuldade para empresas de fora que querem investir no Brasil.
O país também precisa, segundo Alaby, fazer investimentos em infra-estrutura e logística. O Brasil possui atualmente, conforme o relatório da Câmara Árabe, 54 portos, 68 aeroportos operados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), 31 mil quilômetros de ferrovias e 1,7 milhões de quilômetros de rodovias. Essas, porém, são algumas das áreas que devem ser beneficiadas pelas Parceiras Público-Privadas (PPPs). O estudo da Câmara Árabe dá uma idéia geral de como funcionam as PPPs e quais são as suas principais regras, como investimento mínimo e período de vigência dos contratos. A intenção é apresentá-las também como uma boa seara para investimentos estrangeiros.
Vantagens
Em contrapartida, o Brasil tem outras vantagens que facilitam a vida dos investidores estrangeiros. Uma delas é o fato de não haver restrição para envio de lucros para fora do país. O país também tem reservas de cerca de US$ 140 bilhões, o que lhe garante uma segurança estrutural em caso de crise externa. A atual taxa de câmbio, com o real valorizado, também facilita a importação de tecnologia por parte da indústria. O estudo cita ainda a diversidade cultural histórica do país como fator que torna o ambiente local propício aos estrangeiros e a transparência nos dados do setor público.
O relatório aponta três ilhas de excelência que existem no Brasil: a fabricação de aviões, sistemas de votação eletrônica e softwares para o agronegócio. Esses setores, segundo Michel Alaby, são atrativos também para investimentos estrangeiros. Ele afirma que o Brasil tem um bom desempenho tradicional nestas áreas, mas que elas ganharam mais visibilidade depois de melhorias macroeconômicas no país. No ano passado, o setor brasileiro que mais atraiu aporte estrangeiro foi o de serviços, com US$ 12,1 bilhões, seguido da indústria, com US$ 8,7 bilhões, e do agronegócio, com US$ 1,3 bilhão.

