Isaura Daniel
São Paulo – O Brasil voltou a importar um volume expressivo de querosene de aviação da Arábia Saudita neste ano. As exportações sauditas de querosene para o Brasil alcançaram US$ 14,3 milhões entre janeiro e setembro deste ano. No ano passado, o Brasil havia importado dos sauditas apenas US$ 44,4 mil do derivado de petróleo, utilizado para o abastecimento de aeronaves.
O Brasil é fabricante do produto, mas também o importa. Nos nove primeiros meses do ano, o país gastou um total de US$ 125 milhões com compras de querosene de aviação do exterior, volume bem maior do que os US$ 5 milhões gastos no mesmo período de 2004. O movimento reflete, de acordo com o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrututa (CIEB), Adriano Pires, o crescimento do mercado brasileiro.
Os principais fornecedores externos, neste ano, foram Estados Unidos, com US$ 48,9 milhões, Aruba, com US$ 35 milhões, e Venezuela, com US$ 25,7 milhões. A Arábia Saudita foi o quarto fornecedor e a Argentina o quinto.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, uma das explicações para o aumento das importações da Arábia Saudita é a redução das compras de outros fornecedores, como a Argentina. De fato, os argentinos venderam apenas US$ 154 mil em querosene de aviação para o Brasil entre janeiro e setembro deste ano contra US$ 4,4 milhões do mesmo período de 2004.
No ano passado inteiro o Brasil importou US$ 39 milhões em querosene de aviação. Mais uma vez, os fornecedores foram, por ordem, Estados Unidos, Aruba e Venezuela. A Argentina, porém, foi a quarta maior fornecedora e a Arábia Saudita a quinta. De acordo com Pires, o aumento das compras da Arábia Saudita também reflete um movimento natural de mercado, em função de preços ofertados e condições de contrato.
O querosene de aviação é feito a partir de petróleo leve, que é produzido pelos sauditas. Embora no ano passado as importações brasileiras da Arábia Saudita tenham sido pequenas, em anos anteriores as compras foram até maiores do que as registradas neste ano. Em 2003, as importações brasileiras dos sauditas ficaram em US$ 17,5 milhões e em 2002 em US$ 26,7 milhões.
O crescimento das compras externas brasileiras de querosene de aviação neste ano em relação ao ano passado também ocorreu em função do aumento dos preços do petróleo e seus derivados. Entre janeiro e setembro deste ano o preço médio do querosene de aviação importada pelo Brasil foi de US$ 480,89 por metro cúbico. No mesmo período do ano passado, o preço médio estava em US$ 239,17.

