Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo – O primeiro Parlamento conjunto do mundo árabe teve sua sessão inaugural na semana passada na sede da Liga dos Estados Árabes no Cairo. A cerimônia de lançamento contou com as presenças do presidente egípcio, Hosni Mubarak, do secretário-geral da Liga, Amr Mussa, e dos 88 membros da assembléia que representa os parlamentos dos países árabes. Mubarak qualificou o encontro como um passo histórico que vai abrir novos horizontes para as iniciativas conjuntas das nações da região.
"A criação do Parlamento Árabe se enquadra no impulso que está sendo dado às reformas e à modernização da Liga dos Estados Árabes, iniciadas por uma resolução adotada pelo conjunto dos países membros durante Cúpula de Argel, em março de 2005. Ficou decidida a criação de um Parlamento intermediário, cujo trabalho terá duração de cinco anos, prorrogáveis para sete", explicou Alaa Rougdi, porta-voz da Liga.
Segundo ele, o Parlamento provisório terá a função de elaborar uma concepção de trabalho assim como um conjunto de regras que deverão ser adotadas e seguidas pelo Parlamento definitivo. Durante o prazo de cinco anos devem ser estabelecidas as bases necessárias para o funcionamento da entidade.
O número de membros, no entanto, já foi definido: serão quatro representantes (deputados e senadores) de cada um dos 22 países árabes, no total de 88 parlamentares. "Estes membros foram indicados pelos próprios parlamentos de cada país", disse Rougdi.
A idéia de criar um Parlamento Árabe fazia parte de uma série de propostas lançadas pelo secretário-geral da Liga para reforçar a influência da instituição. Para ele, a versão definitiva do organismo deverá ser semelhante ao Parlamento Europeu. "Este passo representa, sem dúvida alguma, uma evolução no trabalho da instituição", declarou Rougdi. "Só o fato de se inserir representantes das populações árabes na Liga dará um grande impulso e fornecerá um grande suporte às iniciativas árabes conjuntas", acrescentou.
De acordo com ele, o Parlamento terá como objetivos melhorar as relações entre os países árabes, promover as relações entre seus respectivos parlamentos e também discutir as questões que forem solicitadas pelo Conselho de Ministros da Liga.
"Após o termino da fase intermediária, o Parlamento será sediado na Síria, país que propôs acolher sua sede durante a Cúpula de Argel", ressaltou Rougdi. Os membros do Parlamento intermediário, no entanto, vão se reunir duas vezes por ano na sede da Liga Árabe no Cairo, ou em qualquer outra capital árabe que se proponha a recebê-los.
Um dos primeiros atos da nova Assembléia foi eleger um presidente. Trata-se de um liberal do Kuwait, Mohamed Djassim Al Sakr, antigo responsável pela Comissão de Relações Exteriores do Parlamento do país do Golfo. Ele terá um mandato de um ano.

