Isaura Daniel
São Paulo – As nações árabes da África estão preocupadas com o avanço das áreas desérticas. O ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Físico do Sudão, Ahmed Babikir Ahmed Nahar, entregou a representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), na 8ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, que começou na última semana e nesta sexta-feira (31) em Curitiba, uma carta pedindo ajuda internacional para conter o crescimento do deserto no país. O encontro é organizado pelas Nações Unidas.
De acordo com o ministro, o deserto sudanês está avançando para as áreas de savanas e tropicais. O país é formado por esses dois tipos de biomas e também por áreas desertas e semidesérticas. “O deserto está avançando sobre áreas onde há florestas”, diz. A zona tropical tem árvores altas e as savanas vegetação mais baixa. As conseqüências já estão aparecendo, de acordo com Nahar, com a migração de animais como elefantes, leões e girafas para outros países.
Uma das medidas que pode conter o avanço do deserto é a preservação da sua fauna e flora. Essa é uma preocupação também da Tunísia, cujo chefe de gabinete do Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Habib Dimassi. Ele também participou da conferência sobre diversidade biológica em Curitiba. “No deserto há plantas, seres vivos, há até água. E isso deve ser preservado para que o sistema permaneça completo e não avance para outras áreas”, afirma Dimassi.
De acordo com ele, no deserto africano há arbustos e pássaros ameaçados de extinção, como é o caso do Abetarda. Na Rio 92, conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento, que ocorreu em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, os acordo feitos já incluíam o combate à desertificação, segundo o representante do governo tunisiano.
Na Tunísia
A Tunísia vai sediar, entre os dias 19 e 21 de junho deste ano, uma conferência internacional voltada ao debate sobre regiões áridas. O encontro é promovido pela Unesco, braço da ONU para educação, ciência e cultura. Dimassi aproveitou o encontro de Curitiba para reiterar o convite para participar da conferência aos demais países.
De acordo com o tunisiano, a preservação da diversidade biológica faz parte das prioridades do atual governo do país árabe. “A Tunísia adotou uma estratégia nacional para proteger o meio ambiente e a diversidade biológica”, diz Dimassi. O país está sensibilizando a população da importância do meio ambiente, principalmente da preservação da variedade biológica em regiões áridas.
Um dos recursos naturais com o qual o país árabe já tem um trabalho de destaque é a água. A Tunísia, de acordo com Dimassi, adotou medidas de racionalização da água, como o seu reuso. “A água usada é tratada e reutilizada na irrigação, por exemplo”, diz. Trinta por cento da água do país é reusada, segundo o chefe de gabinete. A Tunísia tem mais de 80 estações de tratamento de água. “Essa nossa experiência é reconhecida mundialmente”, diz Dimassi.
O manejo de recursos hídricos e também o semi-árido foram os principais temas discutidos na área de ciência e tecnologia durante a Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos, que ocorreu em maio do ano passado em Brasília. Antes mesmo da Cúpula foi feito um seminário sobre os dois assuntos em Fortaleza, no Ceará.
Câmara Árabe
Além de participar da conferência na capital paranaense, Dimassi e Nahar estiveram ontem na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. Eles foram recebidos pelo presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr., pelo vice-presidente de Marketing, Rubens Hannun, que também é cônsul honorário da Tunísia em São Paulo, e pelo secretário-geral, Michel Alaby.
O ministro sudanês apresentou aos dirigentes da Câmara Árabe o seu interesse em aumentar as relações comerciais com o Brasil. Ele pediu ajuda para identificar os setores nos quais podem haver oportunidades para negócios e intercâmbio entre os dois, já que o Sudão têm interesse em diversificar seus parceiros comerciais.
Com Dimassi, as lideranças da Câmara Árabe discutiram sobre um possível retorno de representantes do ministério tunisiano ao Brasil para conhecer o trabalho de organismos brasileiros de meio ambiente.

