Emirates News Agency*
Abu Dhabi – A indústria petrolífera mundial terá de investir cerca de US$ 17 trilhões até o ano de 2030, segundo o chefe do departamento de pesquisas e análises da Empresa Petrolífera de Abu Dhabi (Adnoc), Ali Obaid Al Yabhouni. Segundo o executivo, que falou na semana passada em um simpósio de sobre combustíveis nos Oriente Médio, só os países árabes do Oriente Médio e Norte da África terão de investir US$ 56 bilhões ao ano no setor durante este período.
"A necessidade deste investimento ficou clara nos últimos anos devido à forte pressão que está sendo exercida nas cotações do petróleo. Preços altos são causados por capacidade de refino inadequada, o que gera um sério gargalo no fornecimento dos derivados", afirmou o executivo. Segundo ele, antes do aumento dos preços, as margens de lucro pequenas reduziram o interesse do setor em investir em novas plantas.
Ela acrescentou que, desde o início da década de 1990, as preocupações cada vez maiores com o meio ambiente fizeram com que muitas refinarias investissem em tecnologias para produzir de acordo com especificações cada vez mais rígidas, ao invés de ampliar sua capacidade de produção para suprir a demanda mundial crescente.
O executivo destacou que esta tendência deve continuar na medida em que os países consumidores criarem exigências cada vez maiores sobre as especificações dos combustíveis. Ele disse que haverá uma substancial redução no volume de enxofre nos combustíveis derivados do petróleo, além de outras medidas para a melhoria da qualidade.
"Não será possível fugir destas demandas, pois a questão ambiental continua a ganhar força. Por exemplo, a tendência nos países em desenvolvimento, onde está a maior parte da demanda futura, é que seja reduzido o volume de enxofre na gasolina e no diesel para aproximadamente 200 partículas por milhão até 2015", declarou.
Al Yabhouni acrescentou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) prevê que a indústria petrolífera mundial terá de ampliar em 13 milhões de barris ao dia sua capacidade de redução de enxofre até 2015, além de investir em projetos de expansão, o que é um grande desafio para o setor.
Investimentos no Golfo
"Muitos bilhões de dólares estão sendo gastos em toda a cadeia de produção no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Até 2015 a região precisa adicionar uma capacidade de produção de 1,3 milhão de barris ao dia em 12 novas áreas de exploração. A maior parte destes projetos serão refinarias de ponta capazes de produzir combustíveis com elevados níveis de qualidade para os mercados globais", afirmou Al Yabhouni.
A Opep estima que até 2010 haverá um déficit de aproximadamente 1 milhão de barris ao dia em capacidade de conversão. "Nós na Adnoc estamos investindo pesadamente no aumento da qualidade de nossos combustíveis e no aumento da capacidade de refino. Nossa meta é virar um importante fornecedor neste mercado", disse o executivo.
Outra empresa que pretende investir pesado, segundo informações do site de notícias econômicas Zawya, é a gigante saudita Saudi Aramco. A companhia deve aportar US$ 45,3 bilhões entre 2007 e 2011 no aumento de sua capacidade de produção, que será elevada em cerca de 35%. "O Oriente Médio será um grande e confiável fornecedor de petróleo nos próximos anos", disse Al Yabhouni.
O gás
Outro segmento que terá importância no Oriente Médio é o de transformação de gás em líquidos (GTL). A primeira planta de transformação está prestes a entrar em operação no Catar, uma outra grande usina está em fase de construção e uma terceira está sendo planejada.
*Tradução de Mark Ament

