Marina Sarruf
São Paulo – Entre os mais de 120 casos de sucesso que serão apresentados no Fórum Mundial de Turismo para Paz e Desenvolvimento Sustentável, o Destinations 2006, diversos são de países árabes, como Catar, Emirados Árabes Unidos, Tunísia, Omã, Jordânia, Argélia, Egito, Marrocos, entre outros. O evento começa amanhã (29) em Porto Alegre.
Os casos vão mostrar como o desenvolvimento econômico e social, a valorização da diversidade cultural, a preservação da biodiversidade e a criação de condições para a paz podem impulsionar o turismo. Um dos exemplos árabes será apresentado pelo diretor-geral do Ministério do Turismo do Catar, Jan Poul de Bôer, que vai falar sobre o tema "Construção e Desenvolvimento de um Destino de Turismo Sustentável".
O país árabe está passando por um boom econômico que tem encorajado grandes investimentos do governo, investidores locais e internacionais em obras de construção. Para os próximos quatro anos, o governo espera um crescimento de aproximadamente 150% no setor turístico do Catar, um aumento de 300% no setor hoteleiro e a construção do novo aeroporto internacional de Doha, que terá capacidade para receber 50 milhões de visitantes.
Além disso, Bôer vai apresentar alguns projetos de construção no país, como "A Pérola do Golfo", avaliado em US$ 5 bilhões, que é uma ilha artificial de mais de 400 hectares com residenciais para cerca de 30 mil pessoas, três hotéis de luxo, quatro marinas e 60 mil metros quadrados de espaço para lojas e restaurantes. Outro projeto é a "Cidade da Educação", que terá diversas universidades internacionais.
Outro caso de sucesso será "A Cultura e os Povos do Saara", projeto que será apresentado pelo consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Laure Veirier. Esse projeto tem como objetivo ajudar os países da região do Saara a criar e implementar uma estratégia de desenvolvimento baseada na preservação da herança natural e cultural em favor das populações pobres.
A região do Saara engloba os seguintes países árabes: Tunísia, Argélia, Líbia, Egito, Mauritânia, Marrocos e Sudão, e os não árabes Mali, Nigéria e Chade. Veirier vai falar como o projeto fortalece o trabalho dos nativos, melhora as condições de preservação do ecossistema do Saara, da participação dos governos locais e do incentivo de parcerias regionais e internacionais.
Outros casos árabes que envolvem comunidades locais são a Rota dos Ksours, na Argélia, que recupera as antigas rotas das caravanas comerciais, promovendo um turismo cultural sustentável e combatendo a pobreza. O projeto tem como objetivo melhorar as condições de vida das populações locais e reforçar o desenvolvimento econômico e social da região. Outro caso é da Jordânia, com o projeto "Reciclagem da Vila Taybeh", que envolveu a restauração e a construção de escolas, restaurantes e lojas, preservando a cultura local.
Além da promoção do desenvolvimento econômico e social, da preservação da biodiversidade e da valorização cultural, alguns casos vão mostrar também a busca pela paz, que serão apresentados no painel "Movimentos pela Paz". Um deles é a Viagem pela Paz Mundial – O Festival Muscat, em Omã, que será mostrado pelo embaixador do Instituto Internacional pela Paz através do Turismo, Donald King.
O Festival Muscat ocorre uma vez por ano ao longo de um mês e atrai visitantes do mundo todo. Durante o evento são realizadas peças de teatro, shows de dança e música, todos relacionados com a cultura de Omã. Outro projeto que tem a paz como tema é a "Rota de Abraão", que envolve países como Israel, Jordânia e Turquia. Israel e Turquia não são países árabes, mas a Jordânia sim. O caso será apresentado pelos brasileiros Paulo Farah, professor de língua, literatura e cultura árabe da Universidade de São Paulo (USP), e Fernando Latorre, consultor do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas (ONU).
No painel sobre "Novos Destinos, Novas Tendências" está a Tunísia, com o caso Talassoterapia na Tunísia, que consiste no tratamento de saúde feito com água do mar e areia. Outro país árabe que também terá espaço são os Emirados Árabes Unidos, com o caso Global Village – Festival de Dubai, que ocorre anualmente e reúne cerca de 40 países participantes. No ano passado, o evento contou com a participação da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que organizou um festival de dança e músicas brasileiras.

