São Paulo – Uma iniciativa global começa a definir indicadores e critérios para o desenvolvimento do setor de biocombustíveis mundo afora. Representante do G8, grupo formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos, juntamente com alguns países em desenvolvimento, como Brasil e Sudão, estão reunidos em Túnis, capital tunisiana, para estabelecer critérios de sustentabilidade que possam ser referência em políticas públicas para a área de bioenergia. A reunião começou na quarta-feira (05) e segue até amanhã.
O encontro é do grupo técnico da Parceria Global de Bioenergia (GBEP), uma iniciativa do G8. O Brasil está representado na reunião pelo diretor de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura (Mapa), Alexandre Strapasson. De acordo com ele, a discussão avançou bastante em Túnis, mas ainda não será concluída a lista de indicadores. Essa não é a primeira reunião sobre o tema – a última aconteceu na Holanda – e deverá ser escolhido, até o final do encontro, local e data para mais uma reunião.
Mas entre os itens já incluídos na lista de indicadores de sustentabilidade para biocombustíveis, estão, de acordo com o diretor do Mapa, metodologias para avaliação da emissão de gases de efeito estufa dos biocombustíveis se comparados aos combustíveis fósseis, indicadores para melhoria das condições de trabalho na área, para melhorias ambientais e indicadores de benefícios econômicos, como impacto no Produto Interno Bruto (PIB), desenvolvimento regional e aumento de renda da população no país.
As grandes vertentes da discussão sobre sustentabilidade, segundo Strapasson, são indicadores ambientais, sociais e econômicos. O brasileiro lembra, no entanto, que o GBEP não é mandatário. Ou seja, a adoção dos critérios estabelecidos não é obrigatória por parte dos países, depende de cada um. "É uma parceria global para bioenergia", diz Strapasson, a respeito do GBEP. O objetivo da iniciativa é contribuir para a formação de uma agenda positiva internacional em bioenergia.
O Brasil, de acordo com o representante do Mapa em Túnis, é referência em bioenergia, assim como Estados Unidos. O país tem vasta experiência com cultivo de cana-de-açúcar, além de produção e comercialização de etanol em larga escala e o encontro foi uma oportunidade para mostrar o trabalho de sustentabilidade nestas áreas, de acordo com Strapasson. Segundo ele, a expectativa é que a lista de indicadores e critérios esteja fechada até o final deste ano.
No encontro também foi definida a estrutura de outro grupo de trabalho em bioenergia, nas áreas de capacitação, financiamento e transferência tecnológica. A proposta sobre a criação desta força-tarefa foi feita na última reunião do GBEP.
A Tunísia foi escolhida como sede, apesar de não ser membro do GBEP, por ser um país africano. A organização quis privilegiar o continente. O grupo tem 29 membros, entre eles o Brasil, além de 30 observadores, onde se encaixa a Tunísia. No mundo árabe, apenas o Sudão é integrante efetivo do GBEP. Há outros árabes observadores.

