Isaura Daniel, enviada especial*
Doha – A necessidade de reforma das Nações Unidas é consenso entre os países do G-77, grupo de nações em desenvolvimento cujos representantes estão reunidos em Doha, no Catar, desde o último domingo, para a Segunda Cúpula do Sul. A conclusão foi apresentada ontem aos jornalistas pelo presidente do G-77, o ministro de Relações e Comércio Exterior da Jamaica, Delano Franklyn, a partir das discussões ocorridas até agora no encontro.
Representantes diplomáticos dos 132 países, que fazem parte do G-77, estão discutindo o plano de ação que será posto em prática a partir do encontro e também a declaração política que sairá da reunião. Na quarta e quinta-feira, estarão reunidos, em Doha, os chefes de estado das nações que integram o grupo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não irá participar. Ele deverá ser representado por um diplomata brasileiro.
De acordo com o diretor-geral do Departamento Econômico do Itamaraty, Piragibe Tarragô, o esforço dos países do G-77 é para que a reforma da ONU não seja postergada e seja feita durante a próxima assembléia geral, que vai acontecer em setembro em Nova York. De acordo com Tarragô, a reforma pode trazer mudanças na cooperação econômica internacional, o que beneficiará os países em desenvolvimento.
Além das modificações no Conselho de Segurança da ONU, que são pedidas por países em desenvolvimento como o Brasil, outro pleito é que organismos de financiamento internacional como o Banco Mundial e o FMI ouçam mais e levem mais em conta as necessidades das nações mais pobres. A modificação poderia trazer vantagens aos países quando forem negociar suas finanças com essas instituições.
Nos documentos que estão sendo formulado no encontro estão desde os mecanismos de combate à pobreza, a doenças como Aids, até a cooperação econômica entre os países do sul e a melhoria das relações econômicas com os países do norte, como são chamadas as nações ricas. A importância do Sistema Geral de Preferenciais Comerciais (SGPC) também constará no plano de ação do encontro, de acordo com Tarragô.
O diretor-geral afirma que, no encontro, os países em desenvolvimento estão sendo chamados a integrar o SGPC, um sistema que reduz tarifas para exportações de nações em desenvolvimento. O programa já existe, mas são poucos os países que participam, cerca de 46.
A intenção é que ele seja ampliado em número de participantes, produtos e redução de tarifas. A discussão foi lançada na última Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que ocorreu em São Paulo na metade do ano passado.
O documento formulado pelos países também afirma que os subsídios agrícolas, praticados pelas nações ricas, é um problema e precisa ser resolvido o mais rápido possível. Essa discussão, porém, quem leva adiante e a Organização Mundial do Comércio (OMC) e não a ONU, organismo ao qual o G-77 é ligado.
*A jornalista viajou a convite da Qatar News Agency

