Copenhague e Brasília – O secretário-geral da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), Yvo de Boer, afirmou nesta terça-feira (8) que os projetos para reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, financiados com dinheiro público das nações ricas, também devem servir aos grandes países em desenvolvimento, como o Brasil, a China e a Índia.
Ele falou em coletiva à imprensa, em Copenhague, na Dinamarca, onde começou, nesta segunda-feira (7), o encontro mundial da ONU sobre o clima. “O dinheiro deve ser focalizado para projetos em todos os países pobres e em desenvolvimento. Os grandes países também devem ter acesso, mas isso vai depender de cada projeto apresentado”, afirmou.
Os negociadores brasileiros em Copenhague já anunciaram que não será aceito um acordo que exclua os projetos dessas nações em desenvolvimento para que o compromisso financeiro dos países ricos com as medidas de adaptação das economias emergentes seja restrito. O Brasil teme que os países ricos estejam procurando um acordo apenas para garantir fundos de curto prazo da ordem de US$ 10 bilhões por ano entre 2010 e 2013.
De Boer ressaltou, no entanto, que é preciso aumentar a participação dos fundos nos países pobres, já que atualmente 80% dos recursos chegam apenas a oito nações. O secretário-geral ainda lamentou que as conversas “sérias” só começaram nas duas semanas que antecederam o encontro, o que torna mais complicado um entendimento antes da chegada dos chefes de Estado, no próximo dia 15.
Apelo europeu
A União Europeia fez, no primeiro dia do encontro, um apelo por mais financiamentos dos Estados Unidos a projetos de combate ao desmatamento em países emergentes, como o Brasil. As informações são da BBC Brasil.
O investimento seria adicional aos planos já anunciados pelo governo norte-americano – de reduzir as emissões em 17% até 2020 e acelerar os cortes dali para a frente – e seria feito por meio de compra de créditos de carbono para compensar a poluição gerada no país.
A proposta apresentada pelo bloco europeu inclui cortar pela metade o desmatamento no mundo nos próximos 10 anos e acabar com ele em 20 anos. Mas, tais ações vão exigir trilhões de dólares nas próximas décadas, e a fonte desse financiamento promete ser um dos assuntos mais polêmicos em Copenhague.
Os países ricos se movimentam no sentido de apresentar uma proposta apelidada de Fast Start Fund, um fundo de cerca de US$ 10 bilhões que garantiria o início imediato de ações de adaptação nos países mais pobres e atingidos pelas mudanças climáticas, como Bangladesh e as Ilhas Maldivas.
No entanto, o negociador-chefe brasileiro, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, afirmou que a “falta de engajamento claro dos países desenvolvidos” na questão financeira é um dos problemas da reunião. “Não é possível sairmos daqui com um financiamento de curto prazo”, ressaltou. Para o Brasil e outros países em desenvolvimento, interessa a garantia de financiamentos de longo prazo.

