São Paulo- A assinatura do acordo de livre comércio entre os países do Mercosul e a Palestina, ocorrida na terça-feira (20) em Montevidéu, pode abrir novas oportunidades aos países do bloco sul-americano, oferecendo acesso preferencial aos mercados árabe, europeu e norte-americano a empresas de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai que venham a se instalar no país árabe. É o que afirma Riyad Al-Malki, ministro das Relações Exteriores da Palestina.
"Apesar de estarmos sob ocupação, temos muitas vantagens. Temos acordos de livre comércio com a União Europeia e os países árabes, e livre acesso ao mercado dos Estados Unidos. Todas estes fatores tornam a Palestina vantajosa para a instalação de empresas em zonas francas, já que os produtos podem ser exportados como produtos palestinos e se beneficiarem destes acordos", declarou Al-Malki em entrevista à ANBA, durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Al-Malki estava acompanhado pelos embaixadores palestinos no Brasil e na Espanha, Ibrahim Alzebem e Musa Odeh. Eles foram recebidos pelo CEO da Câmara Árabe, Michel Alaby, e pelo vice-presidente de Relações Internacionais da instituição, Helmi Nasr.
Segundo o ministro, companhias de países como Alemanha, França e Turquia já estão se instalando em zonas francas palestinas. "Espero poder discutir esse assunto com o ministro [das Relações Exteriores do Brasil, Antônio] Patriota. Se tudo caminhar bem, o próximo passo é levar empresários brasileiros para conhecerem a Palestina".
Al-Malki disse esperar que o acordo torne significante o intercâmbio comercial entre a Palestina e o Mercosul, que hoje ele considera apenas simbólico. "É importante colocar o acordo em imediata implementação", declarou. Apesar da urgência declarada pelo ministro, para ser posto em prática, o acordo ainda precisa ser votado pelos parlamentos dos quatro países-membros do Mercosul. Na Palestina, o acordo precisa ser aprovado pelo conselho de governo do país.
O ministro palestino ainda não sabe quais serão os primeiros produtos a terem suas tarifas reduzidas para o comércio entre os dois lados, mas disse que "é preciso analisar os produtos para ver quais serão incluídos na lista". Sobre o potencial de comércio de US$ 200 milhões que o acordo poderia proporcionar, segundo divulgado pela imprensa brasileira, Al-Malki acredita que pode ser ainda maior. "Sinceramente, acho que podemos ultrapassar este número rapidamente, especialmente considerando a formação de joint-ventures e a exploração do turismo religioso", ressaltou. "Devemos lembrar que a Palestina tem um grande valor agregado, temos os lugares mais sagrados do mundo e isso pode ser explorado ao máximo".
Ele destacou ainda a importância da participação do Brasil neste acordo. "O Brasil não é só uma liderança no Mercosul, é uma liderança no continente. A primeira coisa que fizemos após a assinatura do acordo foi vir para a capital econômica do país para conversar com nossos parceiros e começar a explorar todo o potencial desse acordo", enfatizou. Ele apontou ainda o apoio que espera receber no país. "Vemos a Câmara Árabe como uma parceira que representa nossos interesses na implementação desse acordo", finalizou.

