Porto Alegre – O embaixador palestino em Brasília, Ibrahim Alzeben, acredita que a Palestina será reconhecida como estado observador na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em votação que ocorre nesta quinta-feira (29), em Nova York. O diplomata está em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para participar do Fórum Social Mundial Palestina Livre, que vai de 29 de novembro a 01 de dezembro.
“Esperamos que a partir de amanhã a Palestina seja reconhecida como estado não membro. Este será o primeiro passo para seguir reivindicando que a Palestina deve ser um estado pleno da ONU”, declarou Alzeben.
Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), está em Nova York para pleitear que seu país seja reconhecido como estado pela Assembleia Geral. A reivindicação enfrenta a oposição de Israel, que não aceita que a Palestina seja tratada internacionalmente como nação.
“A Palestina está ocupada há mais de 64 anos e isto nos gera direitos. Nós não vamos perder o ânimo e a esperança”, ressaltou o embaixador. Para ele, nem mesmo a pressão dos Estados Unidos, aliados históricos de Israel, é motivo para descrença na possibilidade do reconhecimento nas Nações Unidas.
“Vamos seguir trabalhando, confiando que o mundo está em constante mudança, que os Estados Unidos vão ter que mudar e até mesmo Israel vai ter que mudar. O povo israelense e as comunidades judaicas no mundo têm que mudar seu pensamento. Os palestinos existem e têm diretos e deveres da mesma forma que estas comunidades”, enfatizou.
Internamente, a proposta da ANP, que controla a Cisjordânia, o maior dos territórios palestinos ocupados, recebeu o apoio do Hamas, grupo opositor que controla a Faixa de Gaza, em um raro momento de concordância entre os principais movimentos políticos palestinos.
Após os recentes ataques feitos por Israel à Faixa de Gaza, o Hamas saiu fortalecido com a negociação de um cessar-fogo intermediado pelo presidente do Egito, Mohamed Morsi, e sem a interferência da ANP. Apesar da divisão interna de poder entre os palestinos, Alzeben não acredita que esta seja uma situação definitiva.
“Esse é só um momento temporário na vida do povo palestino. Confiamos que o povo palestino vai reunificar suas vidas muito em breve e nosso único representante legítimo será a OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Esperamos a pronta incorporação do Hamas, do Jihad Islâmico e todas estas forças palestinas ao representante legítimo [dos palestinos] que é a OLP”. A organização foi fundada na década de 60 por Yasser Arafat, morto em 2004, e tem como seu principal braço político o partido Fatah, ao qual pertence Mahmoud Abbas.
Brasil
Para Alzeben, o Brasil está fazendo “tudo o que é possível” para apoiar a criação de um estado palestino. “O Brasil é um país amigo das duas partes, de israelenses e palestinos. O Brasil passou por momentos difíceis, mas conquistou uma democracia que é um exemplo a seguir, não somente na América Latina, mas em nível mundial”, afirmou.
Sobre o fórum na capital gaúcha, Alzeben vê o evento como uma oportunidade de angariar apoio para a causa árabe. “O fórum é um fator importante para divulgar a questão palestina, o que está acontecendo nos territórios [ocupados], para que isto ajude a denunciar os abusos, as agressões e os excessos que estão sendo cometidos”, disse.
Além das conferências principais, o fórum reúne diversas atividades independentes para a discussão dos problemas relacionados à ocupação israelense. “São cerca de 160 palestras, debates e atividades propostas pela sociedade civil”, explicou Elayyan Taher Aladin, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), uma das organizadoras do evento e responsável por 20 destas atividades paralelas.
“Teremos cinco conferências e um espaço cultural riquíssimo, com mostras de artistas plásticos e fotografias. Teremos também uma mostra de cinema, uma parceria que a Fepal fez com a Bibliaspa (Biblioteca América do Sul-Países Árabes), além de exposições de vestimentas e de bordados palestinos”, contou.
Jamal Juma, coordenador da campanha internacional “Stop the Wall”, é um dos ativistas que participarão dos debates. A campanha trabalha para combater o sufocamento comercial da Palestina intensificado com a construção de muros na Cisjordânia. Entre suas atividades está o incentivo ao boicote a empresas israelenses e internacionais que apoiam a ocupação da Palestina.
Um dos principais temas de seu discurso será o combate ao acordo de livre comércio existente entre o Mercosul e Israel. “Consideramos a América Latina um de nossos aliados. A América Latina teve um grande sucesso em sua luta anticolonialista e anti-imperialista e este acordo contradiz a história do continente”, afirmou.

