São Paulo – Empresas de alimentos da Palestina e do Egito estão em São Paulo em busca de distribuidores e compradores para seus produtos. Elas negociam azeite, tâmaras, doces e especiarias na 15ª edição da feira Food Ingredients South America (Fisa), que começou hoje (21) e vai até quinta-feira (23), no Expo Center Norte.
A empresa Al’Ard está buscando um distribuidor para fazer a revenda de seu azeite de oliva no Brasil. Ziad Anabtawi, presidente e CEO da empresa, disse que veio ao país atraído pelo discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua visita à Palestina este ano. De acordo com o executivo, Lula declarou que o país tem interesse em importar azeite da Palestina, o que o fez decidir participar pela primeira vez do evento em São Paulo.
Ele diz que visitou restaurantes e supermercados na capital paulista e pôde notar que a cidade tem um alto consumo do produto. Anabtawi destaca a qualidade do azeite palestino como seu diferencial.
“O azeite palestino é conhecido mundialmente por sua alta qualidade e seu aroma muito marcante. Ele é ‘premium’ e orgânico por natureza. Os fazendeiros fazem a plantação do modo tradicional. Não irrigamos as oliveiras, [a irrigação] vem da água da chuva e não usamos qualquer material químico”, explica.
Além do azeite de oliva, a Al’Ard também produz óleo de soja, de milho e de girassol. Parte da soja, aliás, é comprada do Brasil. “Estamos aqui também para conhecer mais sobre os fornecedores brasileiros e ver a possibilidade de importar também grãos de milho”, diz o executivo. Ele analisa ainda e importação de açúcar e carne bovina.
Em 2011, a empresa, que tem sede em Nablus, na Cisjordânia, deve produzir até 500 toneladas de azeite de oliva. No total, a produção da Al’Ard é de cerca de 13 mil toneladas de óleo por ano. As exportações, no entanto, ainda são modestas. No ano passado, a companhia exportou aproximadamente 150 toneladas de óleo.
Já a Sinokrot, de Ramallah, veio ao Brasil para oferecer doces, picles e tâmaras. “O Brasil é um mercado em que alguns dos nossos produtos não estão disponíveis, como tipos especiais de tâmaras e alguns itens similares, além dos picles de azeitona e de pepino”, diz Muhsen Sinokrot, diretor de exportações da empresa.
A Sinokrot quer encontrar um parceiro no Brasil, que pode ser um distribuidor ou um comprador direto. A empresa já exporta seus produtos para outros países do Oriente Médio, Estados Unidos e Europa. Com uma produção de mil toneladas de doces por ano, entre chocolates, biscoitos e outras guloseimas, a companhia exporta apenas 5% do total. Já as exportações de picles chegam a 20% e as tâmaras são todas produzidas para o mercado externo. As duas empresas palestinas participam da feira com o apoio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Já a empresa egípcia Giza Seeds & Herbs quer oferecer seus temperos, ervas e sementes ao mercado brasileiro. “Trouxemos manjericão, manjerona, funcho, coentro, hortelã, camomila e calêndula”, conta Youssif Tawfik, vice-presidente de Vendas e Exportação.
A Giza já exporta para o Brasil, mas está em busca de novos clientes. “Estamos procurando por fabricantes e importadores que podem usar nossos produtos”, diz Tawfik. Segundo ele, a empresa exporta cerca de 100 toneladas de suas mercadorias ao ano para o Brasil, o que representa menos de 5% de suas vendas. Toda a produção da companhia é voltada para exportação.
“Queremos chegar a 10% no Brasil e queremos crescer também na América do Sul”, informa o executivo. A Giza produz cerca de 9 mil toneladas de condimentos por ano e exporta para a América do Norte, América do Sul, Ásia e Europa.
A feira
A Food Ingredients South America é o único evento de ingredientes alimentícios do Brasil e o maior da América Latina. Este ano, a feira conta com mais de 250 expositores e espera receber acima de 12 mil visitantes em seus 14 mil metros quadrados de exposição.

