São Paulo – O desenvolvimento do cinema na Palestina e a temática nacionalista dentro da arte cinematográfica daquele país são os assuntos da palestra O cinema palestino ontem e hoje, que acontece no dia 28 de novembro, das 14h às 18h, em São Paulo. O evento será apresentado por Arlene Clemesha, professora de História e Cultura Árabe no curso de Língua e Literatura Árabe da Universidade de São Paulo (USP). As inscrições já estão abertas.
A palestra da professora da USP faz parte do Ciclo Arte e Identidade, do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo. O ciclo aborda a relação entre a produção artística e os discursos nacionalistas e identitários em diversas regiões e países do mundo.
Um dos filmes que será tratado na palestra é Al Makhdu’un (Os Enganados), do diretor Taufic Saleh, uma adaptação do conto palestino Homens ao Sol, do escritor Ghassan Kanafani. “É um filme palestino, feito por um diretor egípcio e com produção da Síria”, conta a professora. Feita em 1972, a obra relata a história de três refugiados palestinos que contratam um atravessador para levá-los pelo deserto do Iraque até o Kuwait, onde esperavam encontrar melhores condições de vida.
“Kanafani era um autor palestino muito importante, além de ativista. Ele foi assassinado em um atentando a bomba, em Beirute”, conta Clemesha. Ela destaca o fato de que o filme foi realizado em uma época em que a própria Palestina ainda não produzia cinema.
“O cinema palestino vem num contexto de ressurgimento do movimento nacional. Até 1967, a Palestina não tinha condições de produzir cinema”, explica Clemesha, referindo-se à situação política do país.
Segundo ela, a produção cinematográfica palestina só surge com força após os acordos de Oslo. Assinados em 1993, na capital da Noruega, os acordos de Oslo foram firmados entre os então líderes da região, o palestino Yasser Arafat e o israelense Isaac Rabin. Neles os líderes se comprometiam a unir esforços para buscar a paz entre os dois povos. Os acordos tiveram a mediação do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.
Clemesha lembra que a maior parte das obras de cinema palestinas são coproduções feitas com outros países. Entre os temas abordados nos filmes um deles costuma se repetir nas obras. “Um elemento constante desse cinema é a espera. Pela tão sonhada paz que não vem, pelo Estado que não se constrói”, explica.
A professora afirma que o cinema palestino também fala do cotidiano da vida das pessoas. “Fala da vida nas condições palestinas, do sentimento, da comunidade”, diz. Atualmente, ela conta, o documentário é o tipo de obra mais produzida no país. “Requer menos financiamento. São poucos os diretores que conseguem dar esse pulo (para a ficção)”, explica.
A professora destaca ainda a qualidade dos atores de lá. “A palestina tem excelentes atores profissionais, como Mohammed Bakri e seus três filhos, e a atriz Hiam Abbass”, menciona.
Ela também ressalta o destaque mundial que os filmes da Palestina recebem. “O cinema palestino tem representado o cinema árabe nos principais festivais do mundo, como Berlim, Cannes, Veneza, Toronto”.
Vale lembrar que, no mundo árabe, o Egito é o país com a maior produção cinematográfica. Segundo Clemesha, além das produções egípcias e palestinas, as obras de Marrocos e Tunísia estão entre as mais importantes da região.
Serviço
O cinema palestino ontem e hoje
Dia 28 de novembro, das 14h às 18h
Local: Rua Dr. Plínio Barreto, 285 4º andar do prédio da FecomércioSP, Bela Vista – São Paulo – SP
As inscrições já estão abertas e os preços variam de R$ 10 a R$ 50. Para mais informações e a realização da inscrição pode-se clicar no link http://migre.me/mAFwC


