São Paulo – As crenças religiosas do Egito Antigo e as manifestações artísticas daquele período serão temas de duas palestras na Fundação Ema Klabin, na capital paulista, nos meses de agosto e setembro. Os eventos serão apresentados pela arqueóloga brasileira Cintia Gama, conselheira científica do departamento de antiguidades egípcias do Museu do Louvre, em Paris, e doutoranda em religião egípcia antiga pela Ecole Pratique des Hautes Eutudes – Sorbonne.
No dia 15 de agosto, acontece a palestra As chaves para compreender a religião egípcia antiga. Gama lembra que a história do Egito Antigo abrange um período de cerca de três mil anos, nos quais as manifestações religiosas variaram ao longo do tempo e das regiões daquele país.
“Vou falar sobre a cosmogonia, como eles viam a origem do cosmo, do universo. Deuses como Osíris e Ísis, cada um deles tinha uma cosmogonia associada”, afirma. Ao contrário do que geralmente se acredita sobre o tema, Gama afirma que os egípcios não acreditavam em vários deuses, mas sim em apenas um, que possuía diversas formas de manifestação.
“Um dos maiores objetivos [da palestra] é mostrar que eles não eram politeístas. Eles tinham um deus que se manifestava de várias formas diferentes. Cada um com um atributo. Esse deus único se chamava Atom, que vem da palavra Tudo”, explica.
Segundo a arqueóloga, cada momento da história vai ter um deus principal, ou seja, uma manifestação do deus Atom que se sobrepõem às demais. Além do momento histórico, a classe social também influenciava a crença da população em determinados deuses. “O que os faraós acreditavam não era, necessariamente, a mesma crença dos camponeses”, destaca.
Ela afirma ainda que houve um período histórico, por volta de 1.500 a.C, em que os egípcios chegaram a cultivar diretamente a figura de Atom. Isso aconteceu por determinação do faraó Amenófis IV, que mudou seu nome para Akhenaton e passou a cultivar Atom, representado pelo Sol. “Ele cria o processo de solarização da religião egípcia”, conta Gama.
Já em 12 de setembro, ela apresenta a palestra As representações artísticas do Egito Antigo: entre o sagrado e o profano. “Quando as pessoas olham as figuras [egípcias] todas de lado dizem que eles não tinham perspectiva. Quero mostrar que eles tinham perspectiva, mas não a mesma que a nossa. Quero mostrar em que sentido o texto deve ser lido, que tipos de pinceis eles usavam, que tipo de tinta”, aponta Gama, sobre as pinturas.
A conselheira do Louvre conta que não só aspectos religiosos eram retratados pelos egípcios, mas também cenas do cotidiano, como o sistema de trabalho agrícola, os alimentos, os animais, as casas, etc.
“Há cenas de musicistas e vemos que seus olhos eram brancos. Descobrimos que, no geral, os músicos eram cegos. Quando eles nasciam, já se via que não poderiam trabalhar na agricultura, então eles eram encaminhados aos templos onde havia escolas de música. Eles treinavam a audição e se tornavam ótimos músicos”, revela Gama.
Ela conta ainda outra curiosidade sobre a sociedade do Egito Antigo descoberta a partir das pinturas. “Não sei o porquê, mas eles andavam sem sapato fora de casa e de sapato dentro de casa”, diz. Os resquícios de arte egípcia encontrados em escavações também revelavam as roupas, as joias e até mesmo os tipos de peruca usados na época.
Serviço
As chaves para compreender a religião egípcia antiga
Dia 15 de agosto
Das 10h às 12h
30 vagas
Valor R$ 35
As representações artísticas do Egito Antigo: entre o sagrado e o profano
Dia 12 de setembro
Das 10h às 12h
30 vagas
Valor R$ 35
As inscrições estão abertas para ambos os eventos. As palestras acontecem na Fundação Ema Klabin, na rua Portugal, 43 – Jardim Europa.
Inscrições e informações pelo e-mail cursos@emaklabin.org.br e pelos telefones (11) 3062-5245 e (11) 38973232.


