Alexandre Rocha
São Paulo – O Paquistão tem interesse em firmar parcerias com o Brasil nas áreas de petróleo, gás e etanol. Segundo o ministro do Comércio Exterior e presidente da Agência de Promoção de Exportações do país asiático, Tariq Ikran, a Petrobras e a estatal Pakistan Petroleum Limited (PPL), negociam a formação de uma joint-venture para exploração de petróleo e gás na costa paquistanesa. "Este assunto está sendo discutido, negociado", disse ele à ANBA.
Ikran esteve até ontem (19) em São Paulo à frente de uma missão diplomática e empresarial. Embora o Paquistão não seja um país árabe, 95% da população é muçulmana. Ele aproveitou sua passagem pela capital paulista para visitar a Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) e foi recebido pelo presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr.
A possibilidade de acordos entre a Petrobras e a petrolífera paquistanesa é uma conseqüência direta da visita que o presidente do país asiático, Pervez Musharraf, fez ao Brasil em novembro de 2004. Segundo Ikran, o governo paquistanês decidiu que era hora de transformar as boas relações políticas com o Brasil e outros países sul-americanos em um intercâmbio comercial mais forte.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Petrobras, durante sua visita, Musharraf fez um convite para que a estatal enviasse representantes ao Paquistão, com o objetivo de verificar as oportunidades de negócios existentes. Dois técnicos da companhia estiveram recentemente no país e foram recebidos pelo ministro do Petróleo e Recursos Naturais, Amanullah Khan Jadoon.
"Na ocasião o ministro transmitiu à Petrobras o interesse do Paquistão para que a empresa brasileira aproveite as oportunidades que estão sendo oferecidas por aquele país para exploração e produção de óleo, notadamente no offshore, atividade em que a experiência da Petrobras é mundialmente reconhecida", diz nota divulgada pela Petrobras. O Paquistão promove atualmente um processo de privatização que envolve a venda do controle acionário de companhias como a PLL.
De acordo com Ikran, seu país está interessado também em obter tecnologias que o Brasil detém, como sistemas de compressão de gás natural e produção de etanol para uso como combustível e na indústria química. A cana-de-açúcar é um dos principais produtos agrícolas do Paquistão. "Nosso setor privado já está conversando com os empresários daqui", disse.
Comércio
Em São Paulo, o ministro tinha dois objetivos principais. Em primeiro lugar participar de uma conferência que reuniu todos os embaixadores e representantes comerciais paquistaneses sediados na América do Sul. A meta do evento era discutir maneiras de ampliar as relações econômicas entre o país asiático e as nações sul-americanas.
Em segundo lugar, Ikran liderou uma delegação de 18 empresários paquistaneses representando setores como o têxtil, de artigos esportivos, de produtos farmacêuticos, de cutelaria, de instrumentos cirúrgicos, entre outros. De acordo com ele, o Brasil importa vários destes produtos em quantidade, mas pouco do Paquistão.
Os instrumentos cirúrgicos e equipamentos esportivos, como bolas, lideram a pauta de vendas do Paquistão para o Brasil, que no ano passado somou US$ 6,5 milhões. No primeiro trimestre de 2005, as importações brasileiras de mercadorias paquistanesas ultrapassaram US$ 2 milhões.
A balança comercial é bastante desequilibrada, já que o Brasil exportou o equivalente a US$ 97,5 milhões para o país asiático em 2004 e US$ 35,4 milhões no três primeiros meses deste ano. O crescimento também é desigual. Enquanto os embarques brasileiros aumentaram em 273% no primeiro trimestre, as importações de produtos do Paquistão cresceram 61%.
Nesse sentido, o ministro disse que esteve em São Paulo para "criar alianças e arranjos institucionais". Ele se reuniu com representantes de uma série de entidades setoriais e já confirmou a participação de empresários paquistaneses na Expo-Abras, feira do setor de supermercados que será realizada no segundo semestre. Ikran articula também a presença de empresas brasileiras na Export 2006, feira de comércio exterior que vai ocorrer em seu país.
Perfil
Localizado no centro-sul da Ásia, o Paquistão faz fronteira com a China, Índia, Afeganistão e Irã e seu litoral é banhado pelo Mar da Arábia. Com uma população de 149 milhões de habitantes, o país tem um Produto Interno Bruto de US$ 82 bilhões (dados do Banco Mundial de 2003), mas que cresce a taxas acima dos 5% ao ano.
O setor de serviços tem uma participação dominante no PIB, de 53,2%, com a agricultura e a indústria ocupando espaços semelhantes na economia de, respectivamente, 23,5% e 23,3%. Os principais produtos agrícolas do país são o algodão, trigo, arroz e cana-de-açúcar. No caso das mercadorias industrializadas, são fortes os setores têxtil, de cimento, de fertilizantes, siderúrgico, de açúcar, de equipamentos eletrônicos, de instrumentos cirúrgicos, de produtos farmacêuticos, entre outros.

