Brasília – O rei da Jordânia, Abdullah II, disse na semana passada, durante almoço oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Itamaraty, em Brasília, que o Brasil tem uma posição de liderança internacional e pode servir de exemplo aos países árabes. “Olhamos para o Brasil como um líder e um exemplo”, afirmou o monarca.
Abdullah II ressaltou que, embora esta seja a sua primeira visita ao Brasil, não se sente em um lugar desconhecido, uma vez que o país tem hoje grande projeção internacional em diversas áreas, como diplomacia, negócios e esporte. “O Brasil serve como exemplo de cooperação regional e convivência pacífica. Sua sociedade multicultural é um exemplo, sua comunidade de origem árabe é a maior da América Latina e uma das maiores do mundo. Isso serve de mensagem para a minha região”, afirmou.
Antes Lula havia dito que as comunidades árabe e judaica convivem de forma amistosa no Brasil e que espera que um dia essa convivência seja repetida ao redor do mundo. Durante encontro reservado que os dois chefes de estado tiveram no Palácio do Planalto, o processo de paz entre palestinos e israelenses foi o tema principal, segundo fontes diplomáticas que acompanharam a reunião.
Os representantes dos dois governos chegaram à conclusão de que o país deve ter um papel mais ativo nas negociações, justamente pelas posições pacíficas que manifesta na seara internacional, sua defesa da cooperação entre os países em desenvolvimento e as características multirraciais e multiétnicas da sua população. Em seu discurso, o rei lembrou que o Brasil sempre defendeu os direitos do povo palestino.
Abdullah II ressaltou que a Jordânia “valoriza a parceria com o Brasil” e destacou o papel do presidente brasileiro na realização da primeira Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA), que ocorreu em Brasília, em 2005.
Líder da paz
Na mesma linha, Lula destacou que o rei jordaniano é admirado como líder nas principais iniciativas de paz no Oriente Médio. “Seu empenho é fonte de inspiração para todos aqueles que acreditam na paz”, afirmou o presidente. “Sua vinda ao Brasil fortalece um diálogo político inadiável entre dois povos comprometidos com um futuro de paz e bem-estar para o Oriente Médio”, acrescentou.
O presidente ressaltou que o Brasil quer ter a Jordânia como “interlocutor privilegiado” na busca por parceiros no mundo árabe. Ele afirmou que na próxima Cúpula Aspa, que vai ocorrer em Doha, no Catar, em 2009, as duas regiões vão dar “novos passos para unir vozes em defesa de um cenário internacional mais justo e equilibrado”.
Lula destacou também a participação das forças armadas jordanianas com o quinto maior contingente de tropas na missão de paz da ONU no Haiti, liderada pelo Brasil. Ele acrescentou que os países em desenvolvimento podem contribuir “de forma criativa e solidária” na superação de crises internacionais. O presidente defendeu o combate efetivo à fome e à pobreza como maneira de evitar conflitos. Frente à crise econômica global, o presidente destacou a necessidade de reforma dos organismos financeiros internacionais.
Estiveram no almoço ministros, políticos, diplomatas e representantes da sociedade civil, como o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., e o vice-presidente de Comércio Exterior da entidade, Salim Shahin.

