Alexandre Rocha, enviado especial
Rio de Janeiro – O ministro das Relações exteriores do Brasil, Celso Amorim, abriu hoje pela manhã, no Rio de Janeiro, a 32ª Reunião do Conselho do Mercado Comum, primeira atividade oficial da Cúpula do Mercosul, que vai até amanhã no hotel Copacabana Palace. Amorim fez um relato dos avanços ocorridos no bloco ao longo dos anos e uma defesa enfática de sua força atual.
“O Mercosul não é mais propriedade dos governos é das sociedades, são os povos do Mercosul que vão garantir que ele não vai fracassar”, disse o ministro durante o encontro que reúne chanceleres e ministros da área econômica do bloco e de países convidados. Respondendo aos críticos, ele disse que o Mercosul reconhece seus problemas, procura resolvê-los e que trabalha para corrigir assimetrias.
Como exemplo da força atual do bloco, ele citou a recente entrada da Venezuela como membro pleno. “Isso mostra que o Mercosul não é apenas um processo de integração do Cone Sul, mas de toda a América do Sul”, afirmou.
Para o chanceler brasileiro, o ingresso da Venezuela, além de trazer mais um mercado, reforça a integração regional na área de energia, já que o país é grande produtor de petróleo, e proporciona ao bloco uma saída para o mar do Caribe. “É natural que os que podemos chamar de ‘mercocéticos’ ou ‘mercocríticos’ se enfurecem quando algo assim acontece, porque eles vêm que estamos nos fortalecendo”, declarou.
Amorim citou como exemplo também o pedido feito recentemente pela Bolívia para ingressar no bloco, que será analisado durante a cúpula. Para o ministro, o Mercosul é uma realidade “geopolítica e geoeconômica”, sendo que o comércio entre os países sócios saiu de um volume que girava entre US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões, no início do bloco, para US$ 25 milhões atualmente. “Poucos grupos do mundo tiveram crescimento tão grande, especialmente entre os países em desenvolvimento”, afirmou.
Ele ressaltou também os instrumentos institucionais criados para dar mais coesão ao Mercosul, como o Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento da Estrutura Institucional do Mercosul (Focem), que é um fundo de desenvolvimento regional e que deve ter seus primeiros projetos ratificados ainda durante a reunião do Conselho do Mercado Comum; o Tribunal do Mercosul, que está em funcionamento; e mais recentemente o Parlamento do bloco.
Além das questões internas, ele falou também de temas de relacionamento ao relacionamento externo ao bloco, como as negociações de um tratado de livre comércio entre o Mercosul e o GCC. Os ministros reunidos no Copacabana Palace vão assinar uma declaração sob o tema ainda hoje.

