Randa Achmawi, especial para ANBA
Cairo – O Brasil pode preencher uma lacuna de mercado que existe entre os produtos asiáticos e europeus. A afirmação foi feita ontem à reportagem da ANBA por Mohamed Fahmy Ibrahim, que é Relações Públicas da Feira Internacional do Cairo, na qual empresas brasileiras participam em um espaço organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. "Os produtos brasileiros têm grande chance de conquistar diversas áreas do mercado egípcio porque oferecem ao mesmo tempo qualidade e preço, o que é difícil encontrar no comércio com outras regiões do mundo", explica.
Segundo ele, na maioria das vezes os egípcios têm que optar entre pagar preços bastante elevados em importações de países europeus ou comprar produtos de menor qualidade, mas acessíveis, caso dos produtos de países do sudeste asiático. Por esta razão, Fahmi acredita que se o Brasil puder oferecer uma alternativa intermediária entre estes dois perfis, poderá conquistar um espaço cada vez maior nas relações com o Egito.
O Brasil já tem um comércio significativo com o Egito: US$ 900 milhões no ano passado. A Câmara Árabe, porém, juntamente com organismos públicos e empresas brasileiras, está trabalhando para aumentar ainda mais essas cifras. Na feira do Cairo estão participando a empresa Tangará, fabricante de leite em pó, e a Starrett, indústria de serras, além da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), representadas pela Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras).
Ontem, no quarto dia de feira, o volume de importadores que esteve na mostra quase triplicou. De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que está no Egito, a tendência, daqui para a frente, é que o Brasil participe também em feiras especializadas em setores como de auto-peças, alimentos, máquinas agrícolas e material de construção. Nelas, segundo Alaby, há possibilidade de resultados imediatos. "Numa feira como a do Cairo, os negócios normalmente ocorrem no decorrer de seis a oito meses", afirmou.
De acordo com Alaby, se levado em conta o setor de carne, o potencial de negócios da feira é de US$ 200 milhões. "Só o leite em pó tem um potencial de compras superior a US$ 12 milhões", diz. Segundo o secretário-geral, o próximo passo a ser dado nas relações do Brasil com o Egito é a promoção de um maior número de parcerias, o que contribuirá ainda mais para o aumento das transações comerciais.
Liga Árabe
Alaby teve também, no Cairo, uma série de reuniões, entre elas com responsáveis pela Liga Árabe. No organismo foi discutida a reunião da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura, que ocorrerá na Arábia Saudita entre 3 e 6 de abril. Segundo Alaby, no encontro serão abordadas as relações econômicas entre os países árabes e sul-americanos. "Deverá ser abordada a força da comunidade árabe na América do Sul", diz.
Deverão também, no encontro, ser feitas proposições ligadas ao setor público como, por exemplo, a criação de comissões mistas bilaterais, facilitação da emissão de visto para negócios e turismo, busca de uma ligação aérea entre América do Sul e países árabes, emissão de tratados para evitar bi-tributação para investimentos conjuntos.
A idéia é também manter uma interligação mais efetiva entre as Câmaras Árabes da América do Sul e as Câmaras de Comércio dos próprios países árabes. "Uma das propostas é vincular os sites. Outra é a troca periódica de informações sobre investimentos, comércio, turismo e negócios", afirma Alaby. Uma maior aproximação acadêmica também é esperada, a exemplo da iniciativa da Saudi Science Club, que enviou representantes ao Brasil recentemente.
Feira
A Feira do Cairo começou no último domingo e segue até a próxima terça-feira. A Câmara Árabe organiza o espaço brasileiro com apoio da Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) e Ministério de Relações Exteriores.

