Cairo – O embaixador do Brasil no Cairo, Ruy Amaral, avaliou como muito positivo o Brazilian Festival, evento de promoção de produtos brasileiros que ocorre esta semana na capital egípcia. “É o mais positivo possível, vai no sentido correto, pois trata-se de um mercado importante para o Brasil”, disse o diplomata à ANBA nesta quinta-feira (08). A atividade conta com uma exposição de mercadorias brasileiras no hipermercado Hyper One e com rodadas de negócios entre exportadores do País e importadores da nação árabe. A realização é da Câmara de Comercio Árabe Brasileira com apoio da embaixada.
De acordo com ele, a pauta de exportações do Brasil ao Egito, embora significativa, é muito concentrada em alguns produtos. “É importante mostrar ao Egito produtos não tradicionais”, destacou. As exportações brasileiras ao país árabe somaram mais de US$ 1,2 bilhão de janeiro a agosto. Os principais itens embarcados foram carne bovina, milho, açúcar, carne de frango e minério de ferro.
“O evento é muito bem-vindo e os contatos [feitos] são promissores, há oportunidades muito boas para os empresários”, declarou o embaixador. De fato, participantes do festival relataram a realização de negociações promissoras.
O presidente da Genuína, marca da paulista Lindoya, Martin Ruette, por exemplo, contou que um potencial parceiro decidiu visitar a fábrica da companhia no Brasil para conhecer o processo de produção de águas com sabor adicionadas de fibras. Ele está interessado em fabricar o produto no Egito sob licença, com a exportação de xarope concentrado do Brasil, como ocorre com empresas de refrigerantes.
“A Câmara fez um bom trabalho”, acrescentou Alaa Bou Ajram, gerente de negócios internacionais da Visual Trading, sediada em Dubai, que representa a fabricante brasileira de lentes de conta Solótica. “Agora temos boas informações do mercado, sabemos quem são seus principais atores e conversamos com a pessoas certas”, ressaltou. Seu objetivo é ter um parceiro no país. Ele disse ainda que o estande com produtos brasileiros no Hyper One é muito bom para divulgar as mercadorias junto aos consumidores.
Segundo Ajram, a Solótica exporta para todos os países árabes do Golfo e para a região do Levante, mas não ainda para o Egito. Ele afirma, porém, que há demanda para as lentes no mercado egípcio.
Na mesma linha, a gerente de exportação da Alibra, Débora Lapa, disse que há no Egito empresas interessadas em todos os segmentos de produtos da marca: alimentos para o varejo, catering e ingredientes para a indústria alimentícia. Ela está interessada especialmente no fornecimento ao governo de insumos para merenda escolar e acredita que os contatos feitos podem render negócios. “Agora é negociar preço”, declarou.
Claiton Silveira, do departamento de comércio exterior da Suavetex, indústria de itens para higiene bucal, avalia que as reuniões com empresários egípcios podem render contratos no futuro. “É preciso adaptar as embalagens e aí negociar preços e volumes”, afirmou. Na área de cremes dentais, os principais concorrentes, de acordo com ele, são os fabricantes locais, além dos sauditas e dos alemães.
Economia
Para o embaixador Ruy Amaral, o evento deve ser realizado novamente. Esta é a primeira edição. Segundo o diplomata, a economia egípcia cresce em média 4,5% ao ano, um ritmo “bastante respeitável”. “Para o Brasil, soa como música” disse ele, referindo à recessão pela qual passa o País.
Isso não quer dizer que o Egito não tem dificuldades. A nação do Norte da África sofre com um forte déficit em conta corrente e com a escassez de moeda forte no mercado, em função da redução das receitas do turismo e das remessas de egípcios que vivem no exterior, e do desempenho fraco do comércio mundial, o que afeta o faturamento do Canal de Suez. Além disso, o Egito subsidia produtos à população há décadas, o que afeta as contas públicas.
Nessa situação, o governo egípcio tem incentivado o aumento das exportações e a atração de investimentos externos. O embaixador se diz otimista com o futuro da economia. “O Egito enfrenta um conjunto de problemas, mas os superará”, destacou Amaral, acrescentando que a população do país é de mais de 90 milhões de pessoas, a maior do mundo árabe.
O diplomata lembrou que no futuro próximo os negócios entre o Brasil e Egito poderão ganham mais um impulso, com a ratificação pela Argentina do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a nação árabe. Dos signatários, os argentinos são os únicos que ainda não ratificaram o tratado firmado em 2010, mas esta semana o presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, se reuniu na China com seu colega argentino, Mauricio Macri, que prometeu pressionar o Parlamento a aprovar o texto.
“O acordo abre o horizonte comercial”, observou Amaral. Abre, por exemplo, a possibilidade de equilibrar a balança comercial entre o Brasil e o Egito, tradicionalmente superavitária para o lado brasileiro. “Há atualmente um déficit insustentável”, declarou. Para ele, é possível fazer crescer as importações brasileiras de produtos egípcios sem fazer com que as vendas na outra mão caiam.


