São Paulo – O processo de certificação online desenvolvido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira trará benefícios como redução de custos e de tempo para as empresas que exportam para o Oriente Médio e Norte da África. O assunto foi tema de palestra do gerente de Certificação da entidade, Leandro Salgueiro, nesta quinta-feira (25), em São Paulo.
“A intenção do projeto é que tudo fique online, que não haja mais trâmites físicos. Atualmente, o tempo para a realização do processo pode levar até 15 dias”, explicou Salgueiro a uma plateia de executivos. “Estamos imaginando um trâmite de cinco dias para fazer todo esse processo [online] com a documentação, um decréscimo de dez dias”, ressaltou. A previsão é de que o novo sistema esteja em funcionamento até o final deste ano.
A certificação emitida pela Câmara Árabe verifica 26 itens na documentação apresentada pela empresa e assegura que os produtos exportados foram produzidos no Brasil e estão de acordo com as exigências feitas pelo país árabe para onde a mercadoria será embarcada.
O processo atual exige que os documentos sejam enviados fisicamente para a Câmara Árabe, que realiza a certificação, repassa os documentos para a embaixada do país comprador, que faz a sua própria validação, retornando posteriormente os documentos para a Câmara Árabe, que faz a cobrança do processo e devolve a documentação à empresa exportadora.
Com o novo procedimento, o exportador terá uma área exclusiva no sistema da Câmara Árabe, no qual irá carregar os documentos escaneados. A partir daí, a certificação já pode ser realizada.
“Faz cinco minutos que o exportador fez o upload [dos documentos] e eu já posso começar a certificação”, exemplificou o gerente. Depois disso, todo o processo de envio para a embaixada, cobrança e retorno dos documentos à empresa também é feito eletronicamente pela Câmara Árabe.
“Todo esse trâmite visa a segurança, para que tudo possa ser feito de forma transparente e não possa ser modificado depois”, destacou Salgueiro. Todas as informações colocadas no sistema de certificação online serão criptografadas e as empresas poderão acompanhar todo o andamento do processo também por meio do sistema.
Michel Alaby, diretor-geral da Câmara Árabe, lembrou que a entidade é a única no Brasil autorizada pela Liga Árabe a fazer a emissão do certificado de origem e a certificar documentos de mercadorias a serem vendidas para os países membros da organização.
“No caso brasileiro, a legalização [dos documentos] é mais demorada porque as embaixadas ficam em Brasília e nós (Câmara Árabe) estamos em São Paulo, mas com o novo processo que estamos criando, nosso objetivo é chegar a dois dias [de prazo para conclusão do processo de legalização]”, disse o executivo, mostrando que o prazo pode ser ainda menor que os cinco dias previstos inicialmente.
Empresas
Entre as companhias que já certificam na Câmara Árabe, o novo processo teve boa repercussão. “Qualquer procedimento que tire os empecilhos de distância e envio de documentos fisicamente vai melhorar bastante [o processo de exportação]. Sem dúvida, a gente vai ter um ganho no trâmite das nossas exportações”, afirmou José Flosi, gerente-geral de Exportação da Fanem, empresa de equipamentos médicos neonatais.
“Quem paga esse trâmite [da certificação] é o importador. Então, vai ser interessante, a gente pode passar isso para o importador e ajudar na redução do custo do produto”, avaliou. Atualmente, cerca de 20% das exportações da Fanem vão para os países árabes.
Karen Navarro, assistente de Importação e Exportação da ADM do Brasil, empresa produtora e exportadora de commodities agrícolas, afirma que a certificação online “vai facilitar muito o processo” de exportação da empresa, agilizando o tempo de embarque dos produtos. “A gente tem a documentação mais rápido. A gente consegue enviar para o destino final com mais rapidez e eficiência. Sobre redução de custo, eu acho que diminuiria em uns 40%”, afirmou.
Renan Annize, analista de Vendas Internacionais para o Mercado Militar da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), conta que sua empresa exporta para diversos países do Oriente Médio, incluindo Omã, Catar, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita. A CDC produz munição para armas de pequeno e médio calibre, como revólveres, pistolas, rifles e metralhadoras.
“Esse processo vai diminuir muito nosso custo e tempo para a legalização desses documentos. Eu vejo como um grande progresso. Caso essa meta de dois dias seja atingida, isso vai ser um avanço significativo e vai estreitar ainda mais a relações da CBC com seus clientes”, avaliou. As vendas para os países árabes representam cerca de 30% das exportações da indústria.


