Dubai – O Brasil já tem um forte nome como exportador de alimentos nos Emirados Árabes Unidos, construído, principalmente, com as vendas de carne bovina e de frango, realizadas desde a década de 70. Agora, o desafio para aumentar as exportações de produtos alimentícios ao país do Golfo é diversificar os itens da pauta, apostando em produtos ainda pouco conhecidos na região ou que não são tradicionalmente exportados do Brasil.
A opinião é de Paulo Cesar Meira de Vasconcelos, embaixador do Brasil em Abu Dhabi. O diplomata visitou o estande do Brasil na Gulfood, feira do setor de alimentos que acontece em Dubai desde domingo (08). Ele foi recebido por Ely Dauly chefe-executivo de Operações da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), entidade que organiza o pavilhão brasileiro no evento, e também conversou com Michel Alaby, diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
“O principal desafio é diversificar produtos. Já existe uma imagem positiva (dos alimentos brasileiros) por causa da tradição da Sadia”, afirmou o embaixador, referindo-se à marca de produtos da BRF, fornecedora de alimentos ao país árabe. “A probabilidade de aumento das exportações dos produtos alimentícios (brasileiros) é muito grande”, disse. Para Vasconcelos, é importante que as empresas brasileiras continuem realizando um trabalho sério no país para manter a boa credibilidade das companhias nacionais.
Questionado sobre como o Brasil poderia fazer frente à Índia e à China, maiores exportadores de alimentos aos Emirados, Vasconcelos lembrou que estes países têm comunidades muito grandes dentro da nação árabe. “Dos nove milhões de pessoas que compõem a população dos Emirados, quatro milhões são indianos e muito destas importações são para atender indianos”, exemplificou.
O diplomata informou que a comunidade brasileira também está crescendo no país, o que pode ajudar nas importações dos produtos nacionais. “O aumento da comunidade brasileira vai aumentar isso”, destacou. A embaixada do Brasil nos Emirados estima que cerca de sete mil brasileiros vivam na nação árabe, a maioria em Dubai.
Vasconcelos apontou ainda que alguns produtos brasileiros não têm competição de outros países, caso do açaí. “O açaí tem tido muita saída aqui, porque eles (os árabes) gostam muito de esporte e o açaí é um produto muito calórico e bom para repor as energias”, ressaltou.
Para o embaixador, as empresas nacionais devem aproveitar o potencial do mercado dos Emirados e sua boa abertura aos alimentos do Brasil. “Existe uma pré-disposição muito positiva com relação aos produtos brasileiros. As pessoas não têm medo de experimentá-los”, completou Vasconcelos.
Especificações de embalagens
Durante a feira, Vasconcelos e Alaby também tiveram uma reunião com Khalid Al-Awadhi, CEO do Departamento de Controle de Alimentos do governo de Dubai. O encontro teve ainda a participação de Kaiser Araujo, chefe do Departamento Comercial da embaixada brasileira nos Emirados, e Tamer Mansour, gerente de Relações Governamentais da Câmara Árabe.
O assunto principal do encontro foi a organização de uma apresentação do órgão de Dubai para as empresas nacionais a ser realizado no Brasil. O objetivo é falar com as companhias que estão querendo entrar no mercado do pais árabe sobre as especificações de embalagens dos produtos.
“Nossa principal preocupação é que o rótulo tem que ser original, sem etiquetas. Deve conter informações como origem, peso e ingredientes. Os produtos para o varejo devem ter as informações em árabe”, explicou Al-Awadhi.
O prazo de validade também é outra questão importante nos rótulos dos produtos, contou o executivo, já que nos países ocidentais se usa o calendário cristão e, nos Emirados, também se utiliza o calendário islâmico, que teve início com a fuga do profeta Maomé de Meca para Medina, a chamada “Hégira”, ocorrida no ano de 622 do calendário cristão.
Alaby afirmou que a Câmara Árabe pode organizar a apresentação no Brasil e o evento deve acontecer entre os meses de maio e junho.
Supermercados Lulu
Na terça-feira (09), João Paulo Paixão, executivo de Negócios Internacionais da Câmara Árabe, reuniu-se com Ashraf Ali, diretor executivo da rede de hipermercados, supermercados e lojas de departamento Lulu, dos Emirados, e também com outros representantes do grupo.
A conversa foi para tratar da realização de uma semana de divulgação de alimentos brasileiros em algumas das lojas da rede. O assunto começou a ser discutido em novembro do ano passado, conforme noticiado pela ANBA.
Paixão informou que o evento irá ocorrer na primeira quinzena do outubro, mas os dias ainda não foram definidos. Segundo ele, a mostra acontecerá em 19 hipermercados da rede que, juntos, representam mais de 80% das vendas da Lulu.
Segundo o executivo, a Câmara Árabe e a Apex-Brasil irão fazer a identificação de produtos de potencial interesse e enviar os catálogos destas empresas para seleção da rede árabe. Paixão disse que as empresas interessadas em participar do evento podem enviar seus catálogos de alimentos para avaliação da Câmara Árabe.
O executivo afirmou ainda que entre os produtos pelos quais os representantes do Lulu mais se interessaram estão café, suco de frutas, biscoitos e castanha do Pará.


