São Paulo – Tudo aconteceu após a participação da grife no Fashion Rio, desfile e feira de moda que ocorre no Rio de Janeiro. A Manufatura, marca de confecção e acessórios de Belém, no Pará, encontrou no evento, há cerca de três anos, importadores de Dubai. E lá se foram as sacolas produzidas pela empresa, com tela e adereços, parar nas mãos de quem faz compras na cidade mais badalada dos Emirados Árabes. Na verdade, as sacolas viajaram acompanhadas também de peças de roupas e outros acessórios da Manufatura.
Por dois anos, entre 2006 e 2008, a Manufatura exportou para Dubai. De acordo com a proprietária e estilista da marca, Izabela Jatene, foram vendidas todas as peças da coleção. Inclusive as sacolas. Feitas com tela e enfeitadas com restos de tecidos, as sacolas são ecologicamente e socialmente corretas. Assim como são também as demais peças fabricadas pela grife. Izabela é antropóloga e fez questão de criar a sua empresa com cara verde e social.
Após um período sem vender para os Emirados, a empresária quer retomar o mercado. De acordo com Izabela, a Manufatura começou a trabalhar, agora, no final de 2009, com uma trading, que deve ajudá-la a exportar mais. E também a voltar a vender para os árabes. “O mundo árabe é uma região que vem se desenvolvendo sem explorar tanto a humanidade. Por isso acho que essa consciência deve existir lá”, diz Izabela, a respeito do consumo de produtos socialmente e ambientalmente corretos.
A Manufatura nasceu em 2005. Izabela, que é neta de libanês, já com mestrado em Antropologia e dando aulas na Universidade Federal do Pará (UFPA), resolveu abrir a sua grife. A iniciativa foi fruto da observação da avó materna, que costurava, e da mania que tinha em fazer roupas para si. Os pedidos dos conhecidos, para desenhar ou costurar uma ou outra peça, a fizeram enxergar que era hora de ser estilista. A moça, no entanto, quis que a grife levasse um pouco de antropologia.
Por isso mesmo, nas coleções a empresária prefere usar tons claros, de preferência naturais. O objetivo é evitar tingimento e, principalmente, tingimento pesado. Os tecidos planos e as malhas usadas na confecção vêm de fornecedores que seguem as normas ecologicamente corretas. E um dos tecidos usados é feito de curauá, uma planta da família dos ananás (a mesma do abacaxi) que se desenvolve em clima quente e úmido. Cerca de 60 famílias levam a produção da planta adiante. Ela é transformada em papel de fibra, depois em fio e então tecido, com tear manual, pela Amazon Paper, que tem uma parceria com a Manufatura.
Normalmente o tecido feito de curauá é usado, na peça, com outro tecido, como viscolinho ou viscose. Uma blusa, por exemplo, pode ter viscolinho e uma manga de tecido de curauá. As peças que levam mais detalhes em curauá são as mais caras da grife. Ainda na linha do ecológico e social, a Manufatura aproveita todos os resíduos ou restos de tecidos. Geralmente são feitas aplicações e enfeites nas roupas com eles. Agora, no final deste ano, Izabela começou a trabalhar com um grupo de mulheres portadoras de HIV, que necessitava de renda. Elas vão atuar colocando adereços nas sacolas.
A Manufatura produz entre 300 e 400 peças ao mês. A produção é levada adiante por um grupo de 12 funcionários, mas quando há necessidade, em função do volume de pedidos, parte do trabalho é terceirizada. As peças são de alto padrão e os preços médios das roupas variam de US$ 40 a US$ 210. Izabela já criou um vestido, porém, de 1.300 euros. Além de Dubai, a empresa já exportou para Grécia e França. As exportações, no entanto, não chegam a representar mais que 30% da produção. Além da sede, em Belém, a grife tem uma loja na cidade.
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Manufatura
Telefone: +55 (91) 3223-3082
Site: www.manufaturabelem.com.br

