Da Agência CNI
Belém – Com um saldo na balança comercial de US$7,2 bilhões, o Pará assumiu em 2007 a segunda colocação entre os estados brasileiros com maior superávit comercial. O crescimento foi de mais de mais de 20% e as exportações registraram índice positivo de 18%, chegando a US$ 7,9 bilhões, ante US$ 6,7 bilhões registrados em 2006. Com os resultados, o Pará assumiu a sexta colocação no ranking dos estados exportadores.
Os dados foram detalhados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). O setor mineral mantém a liderança absoluta na pauta de exportações, representando uma participação de 80% entre os 23 segmentos da balança comercial. As produções de Manganês (121%) e Bauxita (30%) tiveram os maiores crescimentos em participação. Os índices foram impulsionados sobretudo pelos reajustes de preços e renegociação dos valores das commodities.
Na pauta de exportação, os minerais cresceram 14,58%, enquanto que o ritmo foi mais acelerado, com 17,15%, na pauta de produtos tradicionais, representando 15% do total de exportações do Pará. Um dos destaques foi o setor florestal, que conseguiu elevadas exportações, apesar das dificuldades enfrentadas em 2007, como a falta de liberação de projetos de manejo florestal.
As exportações do setor cresceram mais de 22% em dólares, mas em toneladas pouco mais de 2%. O setor agregou valor, reajustou preços e adquiriu matéria-prima de outros estados para continuar produzindo e manter um bom índice na balança. No total, foram mais de US$ 790 milhões em valores exportados. Por outro lado, a produção de móveis dá sinais de que precisa ser mais incentivada, porque cresceu 5% e obteve vendas de pouco mais de US$ 7 milhões no ano.
Outro setor que teve destaque de crescimento nas exportações foi o agronegócio: as vendas de bovinos vivos pelos portos paraenses cresceram mais de 460% e atingiram a marca de US$ 255 milhões em 2007, contra pouco mais de US$ 45 milhões em 2006. O índice foi alcançado por conta da comercialização para países como o Líbano e a Venezuela. Os venezuelanos são atualmente os maiores compradores dos bois paraenses.
Entre os 23 segmentos da pauta de exportação apenas cinco apresentaram preços médios menores em 2007: sucos de frutas (-0,8%), camarões congelados (-6,15%), castanha do Brasil (-19,1%) e palmitos em conserva (-2,33%). Na média, os produtos paraenses subiram 22,9% em 2007. No caso de palmitos em conserva e castanhas, é importante ressaltar o crescimento do volume de vendas, apesar da baixa na cotação internacional. Em toneladas, a venda de palmitos passou de 1,6 mil em 2006 para 2,4 mil toneladas no ano passado. Em relação à castanha do Brasil, o crescimento da venda de toneladas do produto foi ainda maior: passou de 2,6 mil em 2006 para chegar à marca de 4,8 mil toneladas em 2007.
“Observamos que o aumento das exportações é contínuo. O ano de 2006 foi atípico pelo alto valor das commodities, mas mesmo a desaceleração não foi suficiente para fazer o Pará crescer abaixo da média nacional. Novamente ficamos acima, com 18% contra 16% de crescimento da média brasileira de exportação”, avalia o presidente da Fiepa, José Conrado Santos.
Segundo ele, os números apresentam resultados importantes da indústria paraense. “Vale comemorar esses índices porque 2007 foi difícil, com câmbio defasado, restrições ambientais, portos à beira da saturação e outros entraves. Por isso, mesmo com as dificuldades, o Pará manteve bom desempenho na balança e isso é extremamente positivo”, afirma Conrado.
O saldo de US$ 7,2 bilhões revela ainda que o comércio paraense é sobretudo exportador. As importações em 2007 tiveram queda de 0,7% e não passaram de US$ 640 milhões.

