Doha – O número de participantes inscritos para o Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes ultrapassou as previsões da organização. O encontro vai ocorrer neste domingo (29) e na segunda-feira, em Doha, no Catar, e é promovido pela Associação de Empresários do Catar (QBA, na sigla em inglês). “Reunir 100 empresários de cada região era nossa meta, mas 260 se inscreveram no total, o que mostra que as pessoas se animaram com o fórum”, disse à ANBA o assessor econômico da QBA, Adnan Steitieh.
O evento ocorre na véspera da 2ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), programada para o dia 31, também em Doha. De acordo com Steitieh, há um clima de otimismo entre os empresários árabes com relação ao fórum, até porque ele tem o impulso político da presença na cidade de chefes de estado e de governo. Além da Aspa, será realizada no dia 30 a Cúpula da Liga Árabe.
“Vamos ampliar a ponte criada em 2005, facilitar o encontro de pessoas das duas regiões”, afirmou Steitieh, referindo-se à primeira Cúpula Aspa, que ocorreu no Brasil em maio de 2005, e ao fórum empresarial realizado logo depois, em São Paulo, com organização da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. De acordo com ele, vão estar presentes representantes de diferentes segmentos das economias das duas regiões.
Um dos participantes será o diretor-geral da Associação de Empresários Jordanianos (JBA, na sigla em inglês), Ali Yousef. Ele espera, assim como Steitieh, que as palestras e encontros de negócios abram “excelentes oportunidades”. “Os empresários jordanianos enxergam as economias sul-americanas com admiração e esperam ganhar sua experiência em diferentes setores”, afirmou. “Nós acreditamos que existe uma grade variedade de oportunidades de parcerias em comércio e investimentos”, acrescentou.
Yousef destacou que, para os jordanianos, existem possibilidades de negócios nas indústrias farmacêutica e de alimentos, tecnologias da informação, turismo, construção, energia e agricultura.
Na mesma linha, Steitieh, disse que no Catar estão em destaque setores como petróleo, gás e outras industrias que demandam grande utilização de energia, construção civil, turismo, educação superior e tecnologia.
O economista da QBA acrescentou que, do ponto de vista dos árabes, os países sul-americanos, especialmente o Brasil, oferecem possibilidades nas áreas de agricultura e pecuária, indústria em geral, mineração, pedras ornamentais e indústria de alta tecnologia, como a fabricação de aviões comerciais.
O primeiro dia do evento será destinado a um seminário com palestras de autoridades e especialistas sobre as economias das duas regiões, entre eles o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin, e o secretário-geral da entidade, Michel Alaby.
Crise
A crise financeira internacional deverá ser um dos temas dos debates tanto no Fórum Empresarial como na Cúpula Aspa. Tanto Steitieh como Yousef disseram que seus países não foram gravemente atingidos, mas há bastante preocupação com o que pode acontecer daqui para frente. Nesse sentido há um interesse especial em ampliar o fluxo de comércio e investimentos para manter as economias funcionando.
No caso do Catar, Steitieh disse que o Orçamento do Poder Público para o ano fiscal 2009-2010 será anunciado em breve e que o valor dos recursos para investimentos será maior do que o do exercício anterior, que foi de cerca de US$ 100 bilhões, apesar da crise e da queda do preço do petróleo.
Ele disse que, além do aumento constante da produção de gás, o que garante novas fontes de receitas, o país tem elevado nível de reservas em moeda estrangeira, que podem cobrir eventuais necessidades orçamentárias. Os setores prioritários para investimento no próximo exercício, de acordo com o economista, serão infraestrutura, educação e saúde.
Após o fórum, propostas dos empresários deverão ser entregues aos chefes de estado e governo. Na avaliação de Yousef, elas devem conter recomendações sobre redução de tarifas alfandegárias, facilitação do transporte de bens, incentivo ao comércio e aos investimentos e oferta de financiamentos.
“Nós esperamos também que as negociações para um acordo de livre comércio sejam aceleradas”, disse Yousef. O Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, negocia tratados comerciais com a Jordânia, Marrocos, Egito e com o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), grupo composto por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
Do fórum vão participar empresários do Catar, Egito, Jordânia, Líbano, Síria, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados, Iraque, Palestina, Argélia, Marrocos, Sudão, Iêmen, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. O segundo dia do encontro será destinado a rodadas de negócios.

