Brasília – A participação dos investidores estrangeiros na dívida pública interna bateu recorde em setembro e superou os níveis anteriores ao início da crise financeira. Segundo o Tesouro Nacional, os investidores externos detinham 7,15% da dívida mobiliária (em títulos) interna no mês passado, o que equivale a R$ 95,96 bilhões.
Para o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, o fato reflete a retomada da confiança na capacidade de o Brasil honrar os compromissos. “É uma tendência gradual a elevação da participação dos estrangeiros na dívida pública.”
Para o coordenador, ainda é cedo para estimar o impacto que terá a taxação sobre o capital estrangeiro que entra no país, medida em vigor desde a última terça-feira (20). Na avaliação de Garrido, a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) afetará apenas os aplicadores com horizonte de curto prazo.
“Para os investidores de longo prazo, o impacto será pouco significativo, na medida em que a taxação afeta quem aplica o dinheiro no país por pouco tempo”, disse. O recorde anterior havia sido registrado em agosto, quando os estrangeiros detinham 7% da dívida mobiliária interna. Na ocasião, o estoque era de R$ 82,3 bilhões.
Ao divulgar os resultados da Dívida Pública Federal em agosto, Garrido admitiu que o Tesouro tem enfrentado volatilidade nas últimas semanas por causa da elevação das taxas de juros no mercado futuro. Ele, no entanto, negou que os juros mais altos tenham impacto sobre o custo da dívida porque o Tesouro passou a oferecer lotes menores de títulos.
"Faz parte da estratégia do Tesouro reduzir os lotes de títulos em momentos de volatilidade e não assumir as taxas de juros que o mercado pede. Isso evita que os custos da dívida subam", explicou. Ele ressaltou que o custo médio da dívida pública, acumulado nos últimos 12 meses, caiu de 13,08% ao ano, em agosto, para 11,42% ao ano, em setembro. O número representa o quanto de juros, na média, o governo tem de pagar para rolar a dívida.

