São Paulo – As solicitações de refúgio em países industrializados aumentaram 24% no primeiro semestre deste ano em função das guerras na Síria e no Iraque, além de instabilidade em outras partes do mundo, como Afeganistão e Eritreia. O dado faz parte de um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) divulgado nesta sexta-feira (26).
Segundo informações publicadas no site das Nações Unidas, o estudo teve como base dados fornecidos por 44 governos da Europa, América do Norte e Pacífico Asiático e levantou que 330,7 mil pessoas pediram refúgio nestas regiões entre janeiro e junho deste ano. O crescimento ocorreu sobre iguais meses do ano passado.
O relatório projeta 700 mil pedidos de refúgio nestas regiões até o final deste ano, o maior número em 20 anos. “Claramente estamos em uma era de conflitos crescentes”, afirmou o alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. Segundo o Acnur, as solicitações de refúgio costumam aumentar no segundo semestre de cada ano.
“O sistema humanitário global já está em grande dificuldade. E a comunidade internacional precisa estar consciente que, na ausência de soluções para os conflitos, mais e mais pessoas precisarão de refúgio e assistência nos próximos meses e anos. Infelizmente, não está claro se os recursos e o acesso ao refúgio estarão disponíveis para ajudá-las”, disse.
Mais de dois terços das solicitações foram feitas em apenas seis países: Alemanha, Estados Unidos, França, Suécia, Turquia e Itália. Hungria, Polônia e Austrália tiveram declínio no número de solicitações de refúgio. A Síria foi o principal país de origem dos solicitantes de refúgio nos países industrializados, o Iraque foi o segundo, Afeganistão o terceiro e a Eritreia o quarto.


