São Paulo – A Nativ Pescados, com fazenda e frigorífico em Sorriso, no Mato Grosso, está negociando com quatro países do Oriente Médio: Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. “As negociações estão andando bem. Já contatamos importantes distribuidores e redes de supermercados. Enviamos amostras (de pescado in natura e filé congelado) no começo de junho e já desenvolvemos a embalagem em árabe e inglês”, afirmou Stefano Magli, diretor da área internacional da companhia.
De acordo com Magli, os importadores árabes receberam, junto com as amostras, um kit exportação – com catálogo, apresentação da ficha de cada produto e tabela de preços. “Inicialmente estamos focando e investindo esforços nesses quatro países, mas sabemos que a região toda tem um grande potencial. Além disso, são países com baixo risco financeiro, renda per capita alta e com muito estrangeiros, principalmente nos Emirados”, completou.
De acordo com Magli, a Nativ trabalha com dois setores: o food service, com vendas para restaurantes, hotéis, companhias aéreas, etc; e o grupo de vendas para supermercados com foco no consumidor final, com embalagem mais elaborada.
“Se tudo sair de acordo com o planejado, em breve faremos uma visita aos potenciais clientes árabes e também pretendemos promover um evento de degustação dos pescados produzidos pela Nativ, em Dubai, no próximo mês de setembro.”
A empresa também está negociando com importadores da Europa e dos Estados Unidos. “Nosso objetivo é exportar 30% da produção num prazo de 18 meses”, disse Magli. “Precisamos trabalhar para desenvolver o hábito de consumo de pescado produzido em água doce. Existe a possibilidade do Brasil tornar-se um exímio e regular exportador do setor de aqüicultura”, destacou.
A Nativ, fundada em 2006, produziu o primeiro lote de pescados em julho de 2008, logo após a conclusão das obras do frigorífico e da fazenda. A escolha do município foi estratégica em termos de logística. A região faz parte da Bacia Amazônica e tem como principal rio o Teles Pires, que junto com o rio Cristalino e o rio Jurema formam o rio Tapajós, um dos mais importantes afluentes do Rio Amazonas.
Segundo Magli, outro fator determinante para a escolha do local da sede foi a de que o Município de Sorriso é hoje o maior produtor de soja do Brasil, além de ser um dos maiores produtores de outros grãos, componentes básicos para a produção da ração, item primordial na criação de peixes. A qualidade e a quantidade de água, as características do solo, a infra-estrutura (energia, telefonia, rodovias, etc) e o clima também foram determinantes para a escolha do local.
Hoje o grupo possui uma fazenda com 138 tanques e um frigorífico, localizado a 60 quilômetros da fazenda, para o processamento de pescado. Também integram o grupo uma distribuidora e um escritório, em São Paulo, que envolve as áreas comercial, financeira e jurídica. A empresa tem 220 funcionários e uma produção média de 10 toneladas por dia.
“A empresa é nova e usa tecnologia avançada em aqüicultura e processamento de pescado em água doce. Os funcionários são especializados, com biólogos e veterinários. O Brasil ainda está no embrião dessa atividade. Nosso frigorífico é modelo para o setor”, explica Magli.
Segundo ele, o foco da empresa é qualidade e desenvolvimento de espécies nativas de peixes da região amazônica. Hoje são produzidas duas linhas: in natura e de empanados. A Nativ trabalha com quatro espécies de pescado. Surubim, pintado da Amazônia, tambaqui e tilápia.
“São peixes de alto valor agregado com sabor suave, carne branca, sem espinhos, de boa consistência, alto valor nutritivo (índice de gordura muito baixo), e ainda, praticidade de preparo”, destacou o diretor.
Apesar de estar no mercado há menos de um ano, a Nativ já possui canal de vendas em 14 estados. Os maiores mercados estão em Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro.
Investimentos e tecnologia
A primeira fase do projeto da empresa, que inclui a implementação da unidade rural, Centro de Reprodução e Engorda e o frigorífico, contou com investimento de R$ 44 milhões, sendo R$ 32 milhões de recursos diretos e R$ 12 milhões de recursos indiretos. A expectativa é a de que, até o final de 2012, quando a segunda fase estiver concluída, haja uma aplicação de mais R$ 70 milhões.
Já o faturamento estimado para o primeiro ano é de R$ 50 milhões. Preocupada com a garantia de procedência dos produtos, a Nativ terá produção verticalizada, sendo responsável por 100% da produção de todos os alevinos e junto com parceiros fará a engorda dos peixes a serem abatidos.
"Em um projeto que visa ser referência para qualquer produtor de pescado do Brasil, o frigorífico já está equiparado aos melhores do mundo, contando com o que há de mais moderno em equipamentos do segmento", explicou o diretor.
Outro fator que garante uma melhor qualidade aos peixes é o sistema de rastreabilidade, que por meio de um software desenvolvido especificamente para esse segmento, monitora desde o momento que o alevino é gerado, quem são seus pais, em que tanque cresceu, o que comeu, com que idade foi abatido, quando foi abatido, que produtos gerou, onde ficou armazenado e para quem foi vendido.
Contato
www.nativpescados.com.br

