Alta Floresta, Mato Grosso – Após rodar mais de mil quilômetros na Transamazônica, de Marabá, no encontro dos rios Araguaia e Tocantins, a Itaituba, na margem do rio Tapajós, no oeste do Pará, os jornalistas da Jornada E.torQ Amazônia, incluindo a reportagem da ANBA, pegaram a BR-163, a Cuiabá-Santarém, rumo ao sul e ao estado de Mato Grosso, entrando na última semana da viagem que teve início em São Paulo capital, de um total de três.
O roteiro ainda reserva algumas aventuras. Os 723 quilômetros da BR-163 percorridos no final de semana, da altura de Itaituba a Guarantã do Norte, já no Mato Grosso, são piores do que a Transamazônica. A rodovia está praticamente sendo reconstruída, o que acrescenta incontáveis desvios aos já previsíveis buracos, poeira e, em alguns pontos, lama, formada pela chuva que caiu no domingo (17).
Esse trecho da Cuiabá-Santarém é o menos povoado e nele é possível ver algumas cenas saídas do passado distante, como vaqueiros conduzindo enormes rebanhos de bois de uma fazenda a outra, às vezes a centenas de quilômetros de distância. O paranaense Alaor, por exemplo, chefiava uma dessas tropas, da região de Novo Progresso, no Pará, a uma propriedade no Mato Grosso.
A viagem de quase 400 quilômetros, segundo ele, deve demorar pelo menos 60 dias, com paradas para que os animais possam pastar e descansar. Alaor, que comprou recentemente um sítio no sudeste do Pará, conduzia, com seus companheiros, mais de mil cabeças de gado.
Tanto o sul do Pará quanto o Mato Grosso receberam muitos colonos dos estados do Sul do Brasil a partir da década de 60, quando o governo passou a incentivar a ocupação das regiões Norte e Centro Oeste do país. A construção da BR-163 e da BR-230, a Transamazônica, ocorreu simultaneamente, no início dos anos 70.
Bem humorado e conversador, como muitos dos habitantes da região, Alaor disse que é a primeira vez que faz o trajeto levando uma boiada. Ele notou logo que estava na companhia de jornalistas e aproveitou para perguntar a opinião sobre o segundo turno das eleições presidenciais, que vai ocorrer no último domingo do mês, entre a petista Dilma Roussef e o tucano José Serra.
“Os pequenos [produtores rurais] daqui são Dilma”, disse. “Mas todos [os candidatos] são do mesmo tecido, só muda a cor”, opinou.
Caminho duro
Mas o grosso do transporte de bois é feito mesmo por caminhões, que são a maioria dos veículos que cruzam esse trecho da BR-163. É um trajeto penoso, feito a passos de tartaruga.
São poucos os carros de passeio que trafegam pela rodovia. É mais comum ver caminhonetes quatro por quatro, mais indicadas para as condições da pista, e as eternas motos, que parecem ter substituído os cavalos na Amazônia.
Além da pecuária, a região concentra madeireiras e o garimpo. A busca por ouro continua neste lado do Pará. Algumas cidades e vilarejos são verdadeiras bases de apoio aos garimpeiros e têm lojas que vendem todos os tipos de artigos para a atividade. Há um ar de “Velho Oeste” em alguns desses locais.
O percurso guarda ainda algumas surpresas, como as belas cachoeiras do Curuá, onde pela primeira vez um dos carros do grupo de jornalistas atolou e precisou ser rebocado por um caminhão para sair da lama; e as bonitas paisagens da Serra do Cachimbo, onde fica a fronteira entre o Pará e o Mato Grosso.
Em Guarantã do Norte (MT), parte da equipe se hospedou no Hotel Torres, administrado pelo simpático casal de mineiros, Ernesto e Neuza. Na manhã desta segunda-feira, os jornalistas seguiram para Alta Floresta passando pelo Parque Estadual do Cristalino, uma área de mata preservada, e fazendo a travessia do rio Teles Pires de Balsa. A viagem é organizada pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros de São Paulo e patrocinada pela FPT, fábrica de motores da Fiat.

