Isaura Daniel
e Alexandre Rocha
São Paulo – Trezentas empresas brasileiras vão participar das rodadas de negócios com importadores do Iraque, Jordânia, Líbano, Iêmen e Palestina entre hoje (14) e amanhã no salão das Américas do hotel Renaissance, em São Paulo. Até o final da tarde de sexta-feira, 387 empresários e representantes de companhias nacionais estavam inscritos na Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB).
Entre os interessados em negociar com os estrangeiros estão desde pequenas empresas, como a Beth Bebê, fábrica de roupas infantis do interior de São Paulo, até grandes companhias, como a Sadia, do setor de carnes, a Faber Castel, de material escolar, a importadora e exportadora Cotia Trading e a Vicunha, do ramo têxtil.
Uma empresa de Santa Rita do Sapucaí chamada Fic/Phihong pretende inclusive conversar com os empresários árabes sobre a instalação de uma fábrica de aparelhos eletrônicos na região. A companhia, que tem 60% de capital chinês e 40% brasileiro, está procurando um local para a abertura de uma nova unidade.
Um dos países cogitados é a Rússia. De acordo com Wellington Vasconcelos Fontes, gerente-executivo da Associação das Empresas Exportadoras do Vale da Eletrônica (Avalex Eletronics), consórcio do qual a Fic/Phihong faz parte. No entanto, a empresa tem interesse em estudar também o mundo árabe. "Há possibilidade de negociarmos formação de joint-venture, transferência de tecnologia ou até a abertura de uma fábrica na região", diz Fontes.
A Fic/Phihong vai estar representada, durante a rodada, pelo consórcio Avalex, que congrega sete indústrias de eletroeletrônicos de Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais. Ao lado de mais de cem companhias, elas formam um pólo do setor na região. O consórcio foi formado há cerca de três anos e começou as exportações pela América Latina. A participação na rodada é justamente uma tentativa de ampliar o mercado internacional. "Agora queremos olhar para o outro lado do mundo", diz Vasconcelos.
O consórcio vai oferecer aos árabes equipamentos de rádio FM de baixa potência, de telecomunicações, odontológicos e hospitalares, além de fontes para radiocomunicação, intercomunicadores, porteiros eletrônicos, entre outros produtos.
O gerente executivo da Avalex também quer falar com os árabes sobre o interesse da Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí de atrair investimentos para a cidade. Além de abrigar o Instituto Nacional de Telecomunicações, o município oferece formação para mão-de-obra da indústria eletroeletrônica. "Temos todo o processo de produção", afirma.
Pára-raios
Quem também quer tentar ampliar a sua participação no mercado externo, por meio das rodadas de negócios com os árabes, é a fabricante de material elétrico Balestro, de Mogi Mirim, interior paulista. A empresa já exporta para América do Sul, Central e do Norte, e eventualmente para a Ásia, mas quer conhecer mais de perto o mercado árabe. O proprietário da empresa, Carlos Eduardo Balestro, vai estar no hotel Renaissance para conversar sobre a possível homologação dos seus produtos na região.
A Balestro fabrica pára-raios, isoladores, transformadores e chave fusível. Esses tipos de produtos normalmente precisam de homologação das distribuidoras de energia dos países para serem utilizados pelo mercado local. A Balestro é uma empresa de porte médio que tem 30% do seu faturamento atrelado às exportações.
Para as crianças
Já a Beth Bebê, confecção de moda infantil da cidade de Socorro, no interior paulista, vai participar da rodada com a intenção de estrear no mercado internacional. A fábrica ainda não exporta, mas desde a metade do ano passado para cá começou a fazer contatos para iniciar as vendas fora do Brasil.
"Já fizemos contatos com importadores do Oriente Médio durante a FIT (Feira Internacional do Setor Infanto-Juvenil-Bebê) e eles gostaram do nosso produto", diz o gerente financeiro da companhia, Paulo Martins. É a primeira vez que a empresa participa de uma rodada de negócios. "Temos a expectativa de fechar negócios", afirma.
Entre as demais empresas inscritas para participar da rodada estão a Klin, fabricante de calçados, a trading Global Guiders, a Madeireira Uliana, que faz esquadrias de madeira, a Niasi, de cosméticos, a montadora Scania, e a Café Iguatemy.

