Marina Sarruf
São Paulo – As pequenas empresas do estado de São Paulo também querem exportar para o mercado árabe. Desde o começo deste ano o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem sido procurado por pequenos empresários interessados em participar de feiras e missões nos países árabes. Essa foi a afirmação da analista de relações internacionais e comércio exterior da entidade, Maria Eugenia Ruiz Borba. Em função dessa demanda, o Sebrae, em parceria com o governo do estado e a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, organizou uma missão empresarial para Dubai, nos Emirados Árabes.
Entre 1 a 8 de junho, cerca de dez empresários vão participar de encontros de negócios com importadores árabes. A missão, organizada pelo Sebrae, Câmara Árabe e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do estado, vai ocorrer paralelamente a Hotel Show, feira do setor de hotelaria, que será realizada entre os dias 4 e 6 de junho em Dubai. "O segmento que mais cresce é o das pequenas empresas, então elas precisam descobrir novos mercados", afirmou Maria Eugenia.
De acordo com ela, as exportações brasileiras para o mercado árabe aumentam a cada ano em diversos setores, o que traz oportunidades de negócios para as pequenas empresas. Entre os produtos que as empresas brasileiras vão apresentar aos árabes estão café orgânico, vasos, luminárias, torneiras, chuveiros, bandejas, quadros, vitrais, mosaicos, pedras decorativas e copos. "O mercado árabe tem um leque muito grande de segmentos e o Sebrae quer juntar esforços com outras entidades para abrir oportunidades para as pequenas empresas", disse Maria Eugenia.
Segundo ela, 99% das empresas no Estado de São Paulo são micro e pequenas. "O trabalho do Sebrae é apoiar e fortalecer o pequeno empreendedor em busca de capacitação gerencial e aproveitamento de nichos de mercado". Maria Eugenia disse ainda que foi a própria entidade que fez um levantamento das pequenas empresas que já têm uma capacidade para exportar para participar da feira em Dubai. "O Sebrae também vai providenciar tradutores de árabe para ajudar os empresários", completou.
"O mercado árabe é exótico para nós e as pequenas empresas estão acordando agora para exportar para a região", afirmou Gilberto Campião, consultor de exportação do Sebrae, que vai acompanhar os empresários em Dubai. De acordo com ele, são as grandes empresas que determinam os mercados para exportação. "Quem abre mercado são as grandes, depois as pequenas vão atrás", disse.
Uma das empresas que vai para Dubai é a trading DWR, que vai representar a Cia. Orgânica, levando café orgânico, e a empresa Marcelo Fernandes, de produtos para decoração. "Essa é a primeira vez que vamos participar da feira. Queremos entrar no mercado árabe", disse a diretora da DWR, Guadalupe Rengifo. Segundo ela, a trading enviou na semana passada uma amostra de café orgânico para Dubai, mas a companhia já exporta para Estados Unidos, França e Japão.
Palestra
No dia 18 de maio cerca de 30 empresários assistiram no Sebrae uma palestra sobre como exportar para o mercado árabe. O palestrante foi o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que deu dicas para negociar com os árabes e falou sobre a competitividade do mercado. "As empresas brasileiras têm chances no mercado árabe porque são mais flexíveis e criativas do que outros países", disse Alaby. "O brasileiro tem que saber negociar porque o árabe usa a barganha como técnica", completou.

