São Paulo – A Petrobras criou uma rede de gestão para aumentar a competitividade de seus fornecedores brasileiros. A rede visa garantir um elevado índice nacional nas aquisições da companhia. Além da Petrobras, o projeto, formalizado ontem (16) em São Paulo, reúne associações empresariais e de trabalhadores da cadeia de fornecedores, ministérios do governo federal, secretarias de planejamento e administração e entidades de fomento e financiamento.
"Sem competitividade, é preciso importar e assim não se fortalece a economia nacional. Não podemos permitir que se implante a maldição do petróleo, quando os outros setores da economia ficam estagnados, enquanto o petróleo vai ganhando espaço. Em longo prazo é um desastre", afirmou o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, no primeiro dos dois dias de debates que resultaram na formalização da rede.
Ele declarou reconhecer a "gigantesca pressão" que as demandas atuais e futuras da empresa trazem aos fornecedores, mas reafirmou a necessidade de que o fornecedor nacional seja competitivo, para que os investimentos da Petrobras, inclusive os do pré-sal, beneficiem a economia brasileira.
A Petrobras tem compras previstas de mais de sete mil equipamentos até 2013, entre turbinas, torres, tanques de armazenamento, filtros, guindastes e outros. A empresa planeja adquirir ainda 296 novas embarcações até 2020, sendo 153 até 2013. As encomendas incluem navios de grande porte, barcos de apoio, plataformas de produção, entre outras. Além disso, a companhia já contratou o fornecimento de 30 sondas e contratará mais 28 até 2018. Deste total de sondas, 28 serão construídas no Brasil, com entrega prevista entre 2013 e 2018.
O projeto atuará ainda na proposta para a melhoria da gestão regional e municipal nas áreas mais diretamente impactadas pelas atividades da Petrobras. Ela trabalhará também, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), na capacitação das micro e pequenas empresas para o desenvolvimento da cadeia regional de fornecedores.
A rede de gestão agirá em articulação com outras iniciativas existentes, como o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), o Centro de Excelência em Engenharia, Suprimento e Construção (CEPEC), a Rede Petro e redes temáticas.
Atualmente há 50 redes temáticas que envolvem 80 universidades e institutos de pesquisa em 19 estados em projetos de interesse na área de atuação da Petrobras. De 2006 a 2008, foram assinados 422 convênios com 52 instituições de ensino e pesquisa nacionais, em um total de R$ 724 milhões em contratos. A Petrobras também já viabilizou a implementação de 26 laboratórios de ponta no país, voltados para as áreas de atuação da empresa.
Os dois dias de debates para formalização da rede de gestão ocorreram em forma de oficina, em uma parceria da Petrobras com o Ministério de Planejamento (MP), Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e o Movimento Brasil Competitivo (MBC).

